OBRA

100 mil pessoas vão ocupar entorno da Avenida das Orquídeas

O QUE VIRÁ A execução do projeto da Avenida das Orquídeas consumiu R$100 milhões e abrirá novo polo de desenvolvimento urbano e crescimento populacional. (Foto: Eisner Soares)
O QUE VIRÁ A execução do projeto da Avenida das Orquídeas consumiu R$100 milhões e abrirá novo polo de desenvolvimento urbano e crescimento populacional. (Foto: Eisner Soares)

Nascem dois marcos urbanos quando os veículos começarem a passar pela Avenida das Orquídeas hoje. Ela rasga três quilômetros e meio de uma parte de Mogi desocupada. Ao conectar a rota de tráfego de carros, bicicletas, ônibus e caminhões com 10 quilômetros e meio, irá redistribuir o tráfego de veículos entre Jundiapeba, Braz Cubas, Vila Industrial e o Centro. Será opção de acesso entre Mogi e Suzano. Primeiro fato: a avenida chacoalha a mobilidade urbana, com um desenho inédito em linha reta, ao ao lado da espinha dorsal ferroviária e visa atender ao transporte municipal e regional.

Segundo, esse trecho do corredor leste-oeste cria condições para a expansão urbana de uma área desabitada de 2 milhões de m² – perímetro maior do que o município turístico de Águas de São Pedro, o segundo menor do Brasil em extensão territorial. Quantas pessoas podem viver ali, a médio e longo prazo: 100 mil, 22,7% da população atual de Mogi, segundo o IBGE, 440 mil moradores.

Todo o bloco de terrenos desocupados, entre o centro de Jundiapeba e a Volta Fria, será oferecido ao mercado imobiliário e de negócios com ônibus na porta e a primeira ciclovia projetada da cidade de uma só vez. O tempo de ocupação dependerá da economia brasileira, mas a implantação desse complexo movimentará a economia na casa de “bilhão de reais”, segundo projeta a Prefeitura.

Já quem definirá a qualidade desse adensamento urbano serão o poder público e a sociedade organizada. O que virá depois hoje, a partir da Avenida das Orquídeas, foi tratado na seguinte entrevista concedida pelo secretário municipal de Planejamento Urbano, o arquiteto mogiano Cláudio de Faria Rodrigues. Confira:

FUTURO Claudio prevê o uso residencial e comercial em área. (Foto: Eisner Soares)

A Via Perimetral foi um marco urbano na Cidade. Qual será o impacto da Avenida das Orquídeas na mobilidade urbana e no adensamento populacional de Mogi?

Nesses dois anos e meio de administração, o prefeito Marcus Melo tem atuado em áreas básicas, educação, saúde, etc, mas também em segurança e desenvolvimento econômico. E há uma característica do administrador empreendedor que se encaixa nesse momento de se construir o futuro dessa faixa territorial, a partir desse novo corredor urbano. Ele tem o perfil nato de empreendedor. E vê para o futuro de Mogi, a Avenidas das Orquídeas como um indutor no desenvolvimento da economia, gerando novas oportunidades, estimulando um novo polo de riquezas e capacidade de investimentos, mas de maneira equilibrada e sustentável – onde os mogianos possam morar e trabalhar, com infraestrutura urbana adequada e moderna. Por isso, a Avenida das Orquídeas se alinhará como o principal eixo de conexão e de mobilidade urbana da região oeste, integrando-se, com o restante da cidade.

A implantação da Avenida das Orquídeas permitirá que uma extensa área territorial, com aproximadamente 2 milhões de m², até então segregada da mancha urbana, se apresente como novo polo indutor de franco desenvolvimento urbanístico, social e econômico.

Quais serão as mudanças imediatas com a abertura do segundo acesso entre Mogi e Suzano?

A Avenida das orquídeas tem 3,5 quilômetros e é o último trecho do sistema de mobilidade urbano chamado Corredor Leste-Oeste, que possui 10 quilômetros e meio. Ela abre um novo eixo de deslocamento que será a principal alternativa à rodovia SP-66, entre Mogi e Suzano, e uma conexão direta com o trecho Leste do Rodoanel Metropolitano. Ela possui em seu desenho geométrico de 30 metros de largura (formada por duas pistas com duas mãos de direção cada, canteiro central, e composta de toda infraestrutura contemporânea: ciclovia, amplas calçadas, iluminação em led, abrigos de ônibus, arborização). É uma mudança na paisagem da cidade e que se oferecerá de imediato, como um atrativo para a consolidação de um novo corredor que aliviará o intenso trânsito das Avenidas Lourenço de Souza Franco e Francisco Ferreira Lopes para a circulação expressa do transporte coletivo, de nova rota alternativa para os inúmeros carros que circulam nesta região e, sobretudo para o escoamento de produtos e mercadorias.

Qual é a projeção do crescimento urbano ao lado da Avenida das Orquídeas? Até onde teremos novas construções a partir da linha do trem e a região ribeirinha do Rio Tietê, na Volta Fria? Qual é a área física a ser expandida, a partir dessa obra?

O vazio urbano é considerável, com aproximadamente 2 milhões de m² que se inicia em Jundiapeba, na área onde funcionou, no passado, a fábrica de tecidos Brasil Viscose, e se estende ao longo de toda a planície situada na porção norte de Braz Cubas segregada pela linha férrea e permeada pelos rios Tietê, Jundiaí, Canudos e Gregório. Ela se coloca como uma área de intervenção urbana que tem potencial para que ao longo dos próximos anos apresente relevante desenvolvimento urbanístico, social e econômico.

Pelas suas características e proximidade com importantes matrizes hídricas, a região deverá conceber um modelo contemporâneo de cidade, que permita seu desenvolvimento urbanístico de maneira sustentável, conciliando o seu potencial construtivo e a oportunidade de preservação do ambiental.

A Avenida das Orquídeas será o eixo estruturante das futuras intervenções, mas caberá à iniciativa privada, delineadas pelas políticas públicas e urbanísticas da cidade, projetar nesta região uma cidade mais conectada, compacta e qualificada, inovadora e sustentável, como diz, aliás, o nosso Plano Diretor em revisão.

A proposta é que esta região seja mais conectada, visando a necessidade de promover a mobilidade urbana em escala local, de forma a facilitar os movimentos entre os bairros, e garantir o acesso igualitário a equipamentos urbanos sociais ou comunitários e serviços, além de valorizar e estreitar os vínculos em escala metropolitana, reafirmando a importância da cidade de Mogi das Cruzes na “macrometrópole paulista”. E também uma região mais compacta e qualificada, determinando a valorização e qualificação urbana.

Qual é a projeção do crescimento populacional entre Braz Cubas e Jundiapeba? Quantos novos moradores, essa faixa receberá?

A projeção é que haja a indução de um melhor aproveitamento do território, com a ocupação do solo de forma mais equilibrada, permitindo maior adensamento construtivo e populacional havendo toda infra-estrutura instalada. Poderá no futuro, de maneira gradativa, alcançar uma população de 100.000 habitantes, que usufruirão de uma região estruturada à coletividade de iniciativa do setor privado e na oferta de equipamentos urbanos, sociais, comunitários e de serviços públicos, valendo-se do potencial e proximidade com as estações de trem (Braz Cubas e Jundiapeba) e a interligação com futuros terminais de ônibus.

Este crescimento populacional se dará ao longo do tempo.

A Prefeitura projeta qual período para a construção de novos empreendimentos nessa faixa da cidade?

A região da Avenida das Orquídeas é um novo pulmão da cidade que nos colocará frente ao crescimento e desenvolvimento urbanístico, social e econômico. É propícia para a plena ocupação e expansão pelo setor privado. Caberá a iniciativa privada estabelecer o adequado planejamento e avaliar as matrizes de ocupação e de investimento.

Esse crescimento urbano, já virá acompanhado dos serviços básicos, como saneamento básico? Há risco de se repetir erros do passado, como a aprovação de empreendimentos, sem esses serviços e, inclusive, sem a despoluição da bacia do Rio Tietê?

Somente será possível a ocupação desta região de maneira equilibrada e com a infraestrutura adequada – para isto, destaca-se o atendimento ao Plano Diretor e à função social da cidade. O Princípio da Função Social da Cidade determina que a Política de Desenvolvimento Urbano do Município de Mogi das Cruzes seja elaborada e implantada buscando o atendimento das necessidades dos cidadãos quanto à qualidade de vida, à justiça social, ao acesso universal aos direitos sociais e ao desenvolvimento socioeconômico e ambiental, incluindo o acesso à terra urbana, à moradia digna, ao saneamento básico, à infraestrutura urbana, ao transporte, aos serviços públicos, ao trabalho, ao sossego e ao lazer.

Já há projetos (estudos de empreendedores já informados oficialmente) para a expansão imobiliária em licenciamento na Prefeitura? Quais? E qual o perfil deles?

Tanto para a região de Jundiapeba como de Braz Cubas, já temos a informação que os empreendedores estão desenvolvendo estudos de ocupação. A nossa proposta é que os projetos busquem o melhor aproveitamento do potencial construtivo, induzindo à entre usos residenciais e não residenciais, incentivando as atividades.

Secretário, qual é a movimentação financeira estimada nessa área?

O investimento inicial de R$ 100 milhões para a execução da obra de implantação do Corredor Leste-Oeste já movimentou a nossa economia da cidade, contudo o plano de investimentos que se consolidará ao longo dos próximos anos pela iniciativa privada certamente impactará de maneira significativa na economia da cidade na casa de bilhão de reais, seja de maneira imediata a curto prazo (novas obras, empregos, etc), mas, sobretudo a médio e a longo prazo, garantindo a vocação econômica do polo da Avenida das Orquídeas – considerando-se sua localização e características socioeconômicas e de formação da população moradora na região, as atividades econômicas que serão estimuladas. Os investimentos acontecerão independente do momento econômico do país, mas esse fator influencia no prazo de execução da implantação de todo esse complexo urbano.