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Folclore Político (CXXVII) Os dez mandamentos

Mineiro não dá rasteira em vento e nem laça boi com embira…

Eles sempre ocuparam lugar de destaque na política local. Basta lembrar Waldemar Costa Filho e Sebastião Cascardo, prefeitos; Aristides Cunha Filho, deputado federal; Tarcísio Damásio, ex-presidente da Câmara; Jolindo Rennó, vereador, entre tantos outros. Sem contar em outras áreas: Osmar Marinho Couto e Homero Gomes, médicos e fundadores do Hospital Santana; João Theophilo de Souza, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Austelino Mattos, provedor da Santa Casa… e vão por aí afora, sempre com características marcantes. Bons de prosa e de articulação, hospitaleiros e, acima de tudo, espertos. Espertíssimos. Diz a lenda que mineiro não dá rasteira em vento, não anda no escuro, não pisa no molhado e nem laça boi com embira, além de não esticar conversa com estranho. Desde que o estranho não seja o primeiro a puxar assunto. Foi a partir de características como essas que surgiu o decálogo do político mineiro, com versões para todos os gostos. Vamos ficar com a mais tradicional e interessante, vinda sabe-se lá de onde. Afinal, ser mineiro não é um estado geográfico, mas um estado de espírito:

Dez mandamentos do político mineiro

1 – Mineiro só é solidário no câncer;

2 – O importante não é o fato; é a versão;

3 – Aos inimigos, quando estão no poder, não se pede nada. Nem demissão;

4 – Para os amigos, tudo. Para os inimigos, a lei;

5 – Respeitar, sobretudo, o padre que consegue votos; o juiz, que proclama o eleito; e o soldado, que garante a posse;

6 – Nas horas difíceis, cabe ao líder comandar: “Preparemo-nos e… vão!”

7 – Voto comprado não é atraso, é progresso. Se o voto é comprado é porque tem valor;

8 – Em briga de político, geralmente perdem os dois;

9 – Mais vale quem o governo ajuda do que quem cedo madruga;

10 – É conversando que a gente se entende.

Biritibanas

Um antigo vereador de Biritiba Mirim ensaiou pelo menos durante três ou quatro sessões antes de subir à tribuna para criticar o prefeito da época: “As ruas estão emburacadas, sem luz, e, à noite, os cachorros soltos, numa latitude que não deixa ninguém dormir.” Por via das dúvidas, o prefeito deixou tudo como estava.

Paranaenses

Antonio Constâncio de Souza, deputado pelo PSP, pediu um aparte a Armando Queiroz, líder de Ney Braga na Assembleia do Paraná. “Não dou aparte não, V. Excia. não está à altura de participar dos debates”. E Constâncio: “Estou, sim. Por que não?” “V. Excia. Não é capaz de citar uma palavra com três xis!”, retrucou Queiroz. Constâncio, de novo: “Sou, sim: Xaxixo.” Ele queria dizer salsicha…

Salesopolenses

Francisco Corrêa, o Quico, prefeito de Salesópolis, integrou um grupo de políticos que foi a Brasília para o primeiro encontro com o presidente Fernando Henrique Cardoso. A conversa rolou amistosa e despretensiosa, até que chegou a hora das fotos, verdadeiros troféus a serem apresentados aos eleitores. Serra, ministro da Saúde, juntou-se ao grupo e ficou próximo de Quico, com cara de poucos amigos. Ele não gostou daquilo e, duas fotos depois, deixou o seu lugar e foi para a frente do ministro, lhe estendendo a mão: “Serra, vê se você me ajuda porque eu estou fudido lá em Salesópolis.” Serra começou a rir. E as fotos seguintes ficaram um pouco melhores.

Nasce o Procon

Quem conta a história é o deputado Marco Bertaiolli. Dori Boucault, advogado da Prefeitura, certo dia chegou diante de Waldemar Costa Filho com uma estranha cabeleira descolorida. Questionado, pôs a culpa na “tintura acaju nº 5”, que havia apresentado problemas. Perguntado se não reclamara do produto, Dori tangenciou: na cidade não havia a quem recorrer em situações como aquela. Foi o que bastou para Waldemar criar um órgão de defesa do consumidor e colocá-lo sob responsabilidade de Dori. E assim nasceu o Procon de Mogi.

Frase

Político sem mandato é como chocalho sem badalo: balança, mas não toca.

José Cavalcanti, o filósofo de Patos, na Paraíba, lembrado pelo jornalista Sebastião Nery


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