EDITORIAL

146 anos: a mesma missão

A direção da Santa Casa de Misericórdia prevê, agora, iniciar as obras de reforma da Maternidade e da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal da Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes neste semestre. Durante o auge da crise que afetou o atendimento às gestantes no começo deste ano, as intervenções eram prometidas para abril, quando as obras do Pronto-Socorro deveriam ter terminado.

Não será bem assim, conforme noticiou este jornal, sábado último. O diretor-técnico Ricardo Bastos e o provedor, José Carlos Petreca, explicam que a execução dos serviços no PS sofreu atraso e o projeto na Maternidade será tocado independente da outra obra.

A Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes tem 146 anos. Criada no século XIX por um grupo de 130 mogianos com a missão exclusiva de assistir aos pobres, ela está instalada no número 1.148 da rua Otto Unger desde 1956.

Há 64 anos, o prédio recebeu diferentes obras de ampliação e adaptação para se acomodar às mudanças pelas quais a medicina passou e chegar aos 182 leitos oficialmente existentes. É um centro médico, considerado referência para maternidade, ortopedia, oftalmologia e neurologia.

A instituição chega a esse ponto de sua história com dificuldades, especialmente no setor de Maternidade, onde por dia, em média, 14 partos são feitos.

Em um ano, a Santa Casa informa em seu site que nasceram, ali, 5.327 bebês. Maternidades foram sendo fechadas nas últimas décadas, inclusive na rede particular, porque esse tipo de atendimento, além de caro, requer recursos humanos específicos, experiência e coragem para ser assumido.

A Santa Casa mantém o compromisso com a saúde pública regional. Tal como fizeram os fundadores dessa obra. Problemas existem, sim. Tanto que a crise que restringiu o recebimento de pacientes e bebês expôs as dificuldades que a entidade e o poder público enfrentam para manter a especialidade obstétrica na rede pública de saúde. Há de se reconhecer, no entanto, o empenho dos gestores da Santa Casa ao assumir o risco de manter duas reformas, enquanto a assistência é ofertada, e seguir com o plano de cuidar de pessoas.


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