EMPREGO

Instabilidade econômica preocupa indústria do Alto Tietê

APOIO especialista diz que governo precisa investir em programas de fomento para o setor industria. (Foto: arquivo)
APOIO especialista diz que governo precisa investir em programas de fomento para o setor industria. (Foto: arquivo)

Nos seis primeiros meses deste ano, a indústria do Alto Tietê se mostrou instável e sem sinais de uma retomada, esperada desde o início da crise econômica. Uma pesquisa sobre o mercado de emprego nos oito municípios que integram a regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) mostra que 1,1 mil contratações foram realizadas no semestre, contra 750 demissões, o que deixou um saldo de 350 vagas abertas. O Diário ouviu especialistas sobre as expectativas para o segundo semestre e o papel dos municípios na retomada da economia, frustrada pelas trocas de governo, desde 2016, a reforma trabalhista, as projeções sobre as mudanças na Previdência. Uma melhora no quadro, segundo os entrevistados, está cada vez mais distante.

O economista Claudio Costa, diretor na Secretraria Municipal de Desenvolvimento, analisa que enquanto o País não encontrar a estabilidade, que está atrelada principalmente à reforma da Previdência, ele ficará surfando nas ondas da economia, e isso explica o momento da indústria: ora em alta, ora em baixa.

“A indústria é um setor que precisa da segurança do investidor para crescer. Nos últimos anos, o agronegócio vem crescendo em média 3,3% ao ano, enquanto a indústria decresceu 0,5% por ano. Torna até perigoso o Brasil fazer acordo bilateral agora, porque ainda não temos capacidade de concorrer com outros países. Cerca de 82% das indústrias daqui ainda estão no universo 2.0. É necessário que, após essa reforma, o governo invista em programas de fomento para o setor”, destacou.

Costa lembra ainda que o universo 4.0 é de mais tecnologia e menos mão de obra, e isso obriga o trabalhador a se qualificar, mas também pode ocorrer uma migração desta força de trabalho para os setores de comércio e serviço, que passariam a ficar em alta. “Mogi tem uma visão de médio e longo prazo, mas a gente tem um plano diretor, um plano de desenvolvimento para atrair novos empregos, nós estamos indo até os investidores. A gente trabalha forte na qualificação de mão de obra e tecnologia, temos ainda o fomento ao empreendedorismo onde, às vezes, o funcionário sai da empresa e passa a ser um fornecedor dela, e com isso ganha na área de serviço”, ressaltou.

O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Mogi das Cruzes e Região, Paulo Fernandes de Sousa, avalia que o resultado de 350 postos de trabalho criados em toda a região é, frente ao cenário de desemprego, um cenário de vermelho, porque não representa uma retomada para um polo como o nosso, com um bom quadro de indústrias. “Isso é reflexo dessa reforma trabalhista que o governo aprovou com a promessa de gerar emprego. Já era esperado que as empresas dispensassem os funcionários e trabalhassem com terceirizados, que não têm nenhuma estabilidade”, ressaltou.

Para uma melhora no cenário, avalia Sousa, é necessário que os empresários forcem o governo Bolsonaro a trabalhar para estabilizar o País. “O investidor ainda está instável, porque só sai escândalo, são milhões em desvio, segurança está ruim, saúde está ruim. No primeiro semestre, eu não vi resultado, eu acho que este segundo semestre continuará do mesmo jeito. Agora o governo quer liberar 35% do FGTS do trabalhador para movimentar a economia. De novo cuidando de medidas que mais afetam o trabalhador”, ressaltou.

O diretor do Ciesp de Mogi das Cruzes, José Francisco Caseiro estava em reunião na manhã de ontem e não conseguiu responder aos questionamentos da reportagem sobre o futuro da indústria na região, mas, esta semana, ele reconheceu que a movimentação rumo à aprovação da reforma da Previdência deu ânimo, mas ainda não é suficiente para provocar uma reação do setor. “Mesmo em um patamar abaixo do desejado, a indústria no Alto Tietê vinha em crescendo e com um saldo satisfatório de empregos criados frente a outras regiões paulistas. Porém, agora também sentimos o reflexo da retração da produção industrial de forma mais acentuada e com preocupação porque, infelizmente, não há perspectivas a curto prazo de melhora”, ressaltou.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Social, Clodoaldo de Moraes, disse que a questão “macro” influencia na hora de o investidor aplicar o dinheiro no Brasil, mas que durante as viagens internacionais, ele tem percebido que o Brasil não perdeu o crédito no mercado, mas precisa de uma estabilidade rápida. “A lição de casa eu acho que Mogi das Cruzes tem feito, quando cria a lei de incentivos fiscais, que foi sancionada no começo deste ano, para as empresas que queiram se instalar na cidade, com isenção de IPTU, redução do ISS, redução do imposto para ampliação, e tudo está sendo apresentado nas viagens que nós temos feito, divulgando também os bons indicadores da cidade e a facilidade logística para ecoar mercadoria. Então tão logo o macro se resolver, nós vamos colher os frutos de ser uma cidade pronta para receber os investidores”, destacou.

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