IMIGRAÇÃO JAPONESA

Família Suzuki, a primeira em Mogi

Aos 95 anos, Mário Suzuki, que nasceu no Cocuera, relembra as historias de sua família, a primeira a se instalar em Mogi. (Foto: Divulgação)

Após 11 anos do desembarque dos primeiros imigrantes japoneses no Brasil a bordo do navio Kasato Maru, em 18 de junho de 1908, Mogi das Cruzes recebeu Shiguetoshi e Fujie Suzuki, que deixaram a terra natal Akita Ken e chegaram ao Porto de Santos em 27 de maio de 1919. Filho do casal, Mário Suzuki, aos 95 anos, relembra a história da família, que marca o início da comunidade japonesa na cidade.

“Meu pai tinha formação, era agrônomo, já tinha viajado para os Estados Unidos e falava inglês. Ele veio para o Brasil no ano de 1919, assim como a maioria dos imigrantes, em busca de melhores oportunidades de trabalho e acabou ajudando várias famílias que depois chegaram a Mogi”, conta Suzuki, que nasceu no Cocuera.

Primeiramente, os Suzuki – que deixaram dois filhos no Japão e aqui tiveram outros cinco – se instalaram em uma fazenda de Sabaúna, onde Shiguetoshi passou a se dedicar à lavoura, principalmente ao plantio de batatinha e cebola, ao lado do irmão. Enquanto isso, Fujie era responsável pelos afazeres domésticos e pela criação de porcos. Mas como o tratado com a família não foi cumprido e a mulher engravidou de Carlos, o primeiro nissei nascido na cidade, eles deixaram a fazenda e, a convite do alemão Carlos Stenberg, foram trabalhar em seu sítio, no bairro do Cocuera.

“A ajuda que ele recebeu do seu Carlos foi tão importante neste início da vida no Cocuera que meu pai o homenageou dando seu nome ao primeiro filho nascido no Brasil”, conta Mário.

No Cocuera, Shiguetoshi derrubava a mata para plantar e vendia a lenha para as famílias mogianas usarem nos fogões. Na lavoura, cultivava mandioca, milho, feijão, batata, repolho e o tomate, que demorou para ter aceitação poque o pessoal ainda não conhecia. “Às vezes, eles perdiam tudo o que tinham plantado e precisavam jogar fora porque ninguém estava acostumado a comer tomate”, lembra Mário, acrescentando que os pais contavam que no início, as pessoas os estranhavam porque nunca tinham vistos japoneses por aqui. “Mas meu pai logo fez amizades e, com isso, aprendeu o português. Os imigrantes que chegavam à cidade os procuravam porque ele sempre acolhia e orientava a todos. Acabou virando uma referência para quem vinha para cá”, acrescenta.

Mas apenas 18 anos depois da chegada a Mogi, Shiguetoshi morreu, com 45 anos, vítima de pneumonia. Viúva, com quatro filhos pequenos e grávida da caçula, Fujie passou a sustentar a família sozinha, plantando eucalipto, ervilha, batata-doce e também produzia mel. “Ela trabalhou muito para criar a gente e conseguiu. Tanto que recebeu homenagem anos depois na Associação do Cocuera”, orgulha-se Mário, contando que a mãe morreu aos 84 anos.

Depois dos Suzuki, em 1920, o Cocuera recebeu a família Ono. Em seguida, vieram os Yoneda, Utida, Matsumara, Konno, Nakamura, Nagao e Ikuta. Ainda na década de 20, outros bairros mogianos receberam imigrantes japoneses: Porteira Preta (família Nishie), Sabaúna (Nakamura), Botujuru (Honda e Meiuja); César de Souza (Saito), entre outras.

Kasato Maru chegou a Santos em 1908

Primeiros imigrantes chegaram ao país após 52 dias de viagem entre os portos de Kobe e Santos. (Foto: Divulgação)

A chegada do navio Kasato Maru, no dia 18 de junho de 1908 ao porto de Santos, em São Paulo, mara o início da japonesa no Brasil. Vinda do porto de Kobe, no Japão, a embarcação trouxe, numa viagem de 52 dias, os 781 primeiros imigrantes vinculados ao acordo imigratório estabelecido entre Brasil e Japão, além de 12 passageiros independentes.

A maioria foi encaminhada para trabalhar em fazendas do interior paulista, já que com a expansão das plantações de café, havia demanda por mão de obra barata na zona rural no final do século XIX e no início do século XX. O fluxo cessou quase que totalmente em 1973, com a vinda do último navio de imigração, Nippon Maru, totalizando cerca de 200 mil japoneses estabelecidos no país na época.