MERCADO

Indústria do Alto Tietê dispensa 500 em junho

SINAL Direção do Ciesp vê com preocupação recuo da produção. (Foto: arquivo)

A indústria do Alto Tietê voltou a demitir em junho, após um leve aceno positivo registrado em abril e maio. O nível de emprego industrial, divulgado pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), apresentou variação de -0,84%, o que significou uma queda de cerca de 500 postos de trabalho nas cidades de Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis e Suzano.

O resultado da pesquisa, divulgado ontem, mostra que o Alto Tietê fechou o primeiro semestre com um saldo de 350 empregos (acumulado de 0,55%) e o 13º lugar no ranking das 36 regiões industriais do Estado. Em seis meses, a indústria na Região criou 1,1 mil vagas de trabalho, mas fechou outras 750, o que preocupa a direção do Ciesp Alto Tietê.

“Mesmo num patamar abaixo do desejado, a indústria no Alto Tietê vinha num crescente e com um saldo satisfatório de empregos criados frente a outras regiões paulistas. Porém, agora também sentimos o reflexo da retração da produção industrial de forma mais acentuada e com preocupação porque, infelizmente, não há perspectivas a curto prazo de melhora”, avalia José Francisco Caseiro, diretor do CIESP Alto Tietê. “A aprovação da Reforma da Previdência deu ânimo, mas ainda não o suficiente para provocar uma reação do mercado. Embora o saldo do semestre permaneça positivo, junho teve o pior resultado dos últimos seis anos na Região”, acrescenta.

No mês passado, o Alto Tietê acompanhou os índices negativos registrados pelo Estado quase como um todo. Das 36 regiões industriais analisadas, 27 contabilizaram variações decrescentes no nível de emprego, o que gerou uma média estadual de -0,61%, com fechamento de 13 mil postos de trabalho.

No Alto Tietê, o resultado de junho foi influenciado pelas variações negativas de Veículos Automotores e Autopeças (-0,82%); Produtos Químicos (-1,18%); Produtos Têxteis (-0,83%) e Produtos de Minerais Não-Metálicos (-0,69%), todos esses setores que vinham registrando bons desempenhos, sendo que os dois últimos continuam com saldo positivo no ano. Dos19 setores avaliados na pesquisa do CIESP na Região,10 estão com variação negativa no ano.

A pesquisa mostra o comportamento setorial com os dados acumulados nos últimos 12 meses. E revela setores fragilizados como os de produtos de metal (-11,54%), produtos de madeira (-7,28%), impressão e reprodução de gravações (-25%) e metalurgia (-14,20%) e também a ligeira estabilidade em outros segmentos no período de um ano, como produtos têxteis (3,35%), veículos automotores (3,14%) e celulose e papel (1,21%), máquinas e equipamentos (0,99%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (5.07%).

Já quando comparados apenas os meses de junho de 2018 e 2019, o cenário piora. No ano passado, o resultado foi praticamente estável em 0,10% na regional e agora chega -0,84%. Também é possível comparar, no estudo, o desempenho das variações mensais de contratações na Diretoria Regional no período de junho/2017 a junho/2019 (confira nesta página).