REPRESAS

Reservatórios do Alto Tietê operam com 95% da capacidade e provocam problemas

DE NOVO Passagem pela região do Aterrado está fechada, o que complica a vida dos moradores. (Foto: arquivo)

Nos últimos meses, a maioria das represas do Sistema Alto Tietê está operando com capacidade de armazenamento acima dos 95%. Alguns reservatórios estão acima do limite máximo, como no caso da Ponte Nova e Paraitinga, que ontem estavam com volume acima dos 101%. A quantidade de águas nos reservatórios afasta os riscos de crise hídrica neste ano, mas as cheias causam transtornos em algumas regiões, como no caso dos moradores de Salesópolis, que estão impedidos de passar pela ponte do Aterrado, interditada desde o mês de maio, como medida preventiva em decorrência do alto nível no reservatório.

Com a interrupção do acesso, cerca de 300 famílias de moradores e agricultores dos bairros Aparecida, Arrepiado, Pinheirinho, Aterrado e Pedra Branca, reclamam que são obrigados a dar uma grande volta para poder chegar a cidade. O percurso é de 14 quilômetros a mais para chegar até a cidade por outro caminho. Muitas famílias têm filhos nas escolas, que precisam fazer o trajeto diariamente. “Minha mulher trabalha como funcionária pública e tenho dois filhos que estudam em Mogi. Tudo era mais fácil quando podíamos usar o Aterrado. Agora tenho que andar quase 30 quilômetros a mais para levar e buscar todos os dias”, disse a agricultor Francisco Alberto.

Os críticos dizem que houve um erro do Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica) ao reconstruir os 530 metros de extensão da passagem do Aterrado, que cedeu e foi refeita no ano passado. Os comentários são de que o órgão refez as obras em uma época de seca, quando o nível das águas estavam bem abaixo no normal. Quando a situação foi normalizada, a ponte ficou submersa.

O presidente da Câmara de Salesópolis, Cláudio do Prado Moraes (DEM), disse que entrou no mês passado com uma ação no Ministério Público (MP) para que os responsáveis sejam respondam pelos erros do projeto e o mau uso do dinheiro público, e para que a obra seja refeita. Ele alega que se os técnicos do Daee estivem considerado a capacidade máxima de armazenamento da barragem de Ponte Nova antes de fazer as obras, o problema não teria ocorrido.

O Aterrado foi construído há 30 anos. No final do ano passado, o Daee concluiu uma obra de microdrenagem, reforçou a estrutura da estrada e restringiu a circulação de veículos pesados. O investimento foi de R$ 1,2 milhão. “Mas, logo depois de concluído o serviço, o Aterrado já apresentava problemas, com deslizamentos na lateral, onde estavam instaladas as caneletas”, comenta Moraes.

O Daee, no entanto, esclarece que sempre considerou o Aterrado como via opcional aos moradores, oferecendo essa facilidade de um caminho mais curto apenas quando o volume de água armazenamento estiver mais baixo. Porém, reforça que o caminho considerado oficial é pela estrada da Usina apesar de o trajeto ser bem maior do que o oferecido pelo Aterrado.

Ontem, o volume total do Alto Tietê era de 96,9%, um índice bem superior ao registrado no mesmo dia de 2018, quando o sistema estava operando com 54,4% de sua capacidade. As cinco barragens que integram o sistema estão com armazenamento de quase o dobro do mesmo período de 2018.

A mais cheia é a barragem de Paraintiga, com volume registrado na quinta-feira de 101,69%, contra os 52,57% do dia 18 de julho de 2018. Em seguida vem a Ponte Nova, com 101,16%, diferente do ano passado, quando o armazenamento era de 61,36%. A mais vazia é a de Biritiba, que estava ontem com 56,54%, mesmo assim com nível superior ao período comparado, dia em que o nível do reservatório era de 31,59% (veja quadro).

Nível de Água no Sistema Alto Tietê

18/07/2018

18/07/2019

Volume Total do Sistema

54,3%

96,8%

Represa Paraitinga

52,57%

101,69%

Represa Ponte Nova

61,36%

101,16%

Represa Biritiba

31,59%

56,54%

Represa Jundiaí

47,03%

95,23%

Represa Taiaçupeba

43,43%

95,89%

Fonte: Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp)

Silvia Chimello

Silvia Chimello

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