SOCIAL

Após reclamações sobre moradores de rua, Guarda amplia monitoramento no Largo do Shangai

MIGRAÇÃO Depois do Largo Bom Jesus, moradores de rua passam a ocupar o Largo do Shangai. (Foto: arquivo)

A prefeitura de Mogi das Cruzes decidiu ampliar o monitoramento na praça João Antônio Batalha, no Shangai, após reclamações de comerciantes e moradores. Ontem, a Secretaria Municipal de Segurança Pública determinou a permanência de uma viatura da Guarda Municipal no local, assim como vinha acontecendo no Largo Bom Jesus.

A orientação foi dada pelo prefeito Marcus Melo (PSDB), após incidente envolvendo o fotógrafo deste jornal, Edson Martins, ameaçado de agressão por um grupo de pessoas, quando passava pelo local no feriado do último dia 9.

Além da Guarda Municipal, a Polícia Militar também foi acionada. “A nossa orientação para a segurança da cidade é manter o monitoramento para evitar esse tipo de atitude na cidade. Não vamos admitir nenhum tipo de violência independente de qualquer coisa. O que aconteceu com o fotógrafo é inaceitável. Cabe à prefeitura, através da Guarda Municipal, acompanhar, manter a segurança das pessoas, dos moradores, e junto com a Assistência Social fazer o encaminhamento que essas pessoas precisam”.

Ontem, houve uma nova tentativa de agressão a funcionários do jornal, feita por dois homens que foram à redação, duas vezes, durante a manhã, insatisfeitos com a reportagem publicada ontem, que trouxe relatos de moradores e comerciantes sobre as ameaças e tensão no Largo do Shangai. Eles ameaçaram retornar ao jornal, com outros moradores de rua.

Melo afirmou que a “prefeitura não vai baixar a guarda e, se tiver problemas de violência, essas pessoas serão encaminhados para a Delegacia de polícia, dependendo da situação. A nossa obrigação é manter a segurança da cidade como um todo”, reforçou.

O prefeito acrescentou que o espaço público pertence à população e não pode ser usado como local de moradia. Ele afirmou ainda que a Prefeitura busca encaminhar esses moradores para serviços sociais, mas apenas uma parte deles é receptiva a essa alternativa.

A autoridade reconhece as dificuldades para lidar com essa questão social, apesar do desenvolvimento de projetos de reintegração social, por meio da Secretaria de Assistência Social e o encaminhamento para os serviços de acolhimento e o CAPS AD ( Centro Psicossocial de Álcool e Drogas).

A cidade conta com uma estrutura para atender os moradores em situação de rua, porém, destacou, a maioria deles se recusa a participar. “Temos dificuldades porque essas pessoas não querem ser encaminhadas por opção pessoal”, observa Melo, que também pede a colaboração da população, que muitas vezes, em vez de ajudar, acaba prejudicando o trabalho dos assistentes.

Na opinião de Melo, essa situação social se agravou com a crise econômica do País. Ele pede que a sociedade seja parceria do poder público. Uma das saídas seria a população deixar de distribuir marmitas, agasalhos, cobertores e dar dinheiro “aos moradores de rua, que acabam se acomodando com a situação e recusam os abrigos, onde existem normas e regras para seguir”.

“Tem muita gente que quer ajudar essas pessoas, mas a orientação que temos dado é que se quer ajudar, procure uma entidade que tenha profissionais adequados para acolher e identificar o que pode ser feito e não ajudar nas ruas, em iniciativas isoladas. Ajudar, dessa forma, é uma maneira para que eles permaneçam nas ruas”, observa.