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Arquiteto projeta Centro de Convenções de Mogi das Cruzes

‘divinão’ Além de abrigar a quermesse do Divino, o Centro de Convenções de Mogi, na mesma área do CIP , no Mogilar, poderia receber exposições, feiras e eventos, como a Expo Mogi. (Imagem: divulgação)
O PROJETO De autoria do arquiteto Paulo Pinhal, o Centro de Convenções de Mogi, foi idealizado pelo ex-festeiro Josemir Campos. (Imagem: divulgação)

Com uma ideia de melhorar a quermesse da Festa do Divino de Mogi das Cruzes, o professor e ex-festeiro Josemir Ferraz de Campos propôs um desafio ao arquiteto e professor Paulo Sérgio Pinhal. Criar o esboço de um projeto para a construção do Centro de Convenções de Mogi das Cruzes, carinhosamente denominado “Divinão”, uma estrutura coberta para a realização de festas populares e exposições, no mesmo espaço onde está atualmente o Centro de Iniciação Profissional Maurício Nagib Najar, no Mogilar.

Foi há 17 anos a primeira vez que Josemir de Campos pensou em um Centro de Convenções para a cidade, uma área coberta e dotada de infraestrutura elétrica e hidráulica para o recebimento das barracas típicas da Festa do Divino Espírito Santo, mas também para outras exposições e feiras.

Em 2002, essa ideia foi sugerida em um artigo escrito por ele em O Diário, como resposta às dificuldades criadas com a expansão das atrações e do público da quermesse. “Um prédio coberto para acomodar as barracas acabaria com dois grandes problemas, as incertezas do tempo, porque quando chove, o movimento de pessoas cai fortemente, e financeiras porque os custos com as barracas e montagem de banheiros, geradores de energia, etc, cairiam drasticamente”, sustenta o ex-festeiro.

Em uma conta rápida, tomando por base um custo estimado de R$ 300 mil com a infraestrutura instalada atualmente no estacionamento do CIP para o funcionamento das barracas, se o projeto tivesse sido feito em 2002, a economia teria sido na ordem de R$ 5,1 milhões – um dinheiro que poderia ter sido usado pelas entidades assistenciais que recebem uma parte dos recursos financeiros obtidos com a venda dos produtos doces, salgados, afogado, bebidas, etc.

MULTIUSO Espaço idealizado há 17 anos seria uma estrutura coberta para festas populares, como a do Divino, e exposições. (Foto: arquivo)

O Centro de Convenções nasceria com potencial para abrigar grandes eventos como a ExpoMogi e festas agrícolas como a do Outono, do Caqui, e etc, além de gabaritar Mogi para ser um polo regional de exposições comerciais, seguindo a mesma carreira do Centro de Convenções do Anhembi, em São Paulo. “Pelo seu perfil – o principal mercado industrial e comercial do Alto Tietê, e localização, a 50 quilômetros de São Paulo, e de aeroportos, e também do Litoral, Mogi tem uma vocação natural para esse tipo de empreendimento”, defende Pinhal.

E como esse projeto sairia do papel? Pinhal e Campos sugerem a formação de uma Parceria Público-Privada, por meio da lei municipal da PPP, já existente e sendo utilizada atualmente para a prospecção de três projetos, o da destinação de resíduos sólidos, já tornado público pela Prefeitura, da iluminação e do e-governo.

Por meio de uma PPP seria possível a construção e a manutenção futura do espaço, sem a injeção de recursos municipais, e com o aporte do dinheiro da iniciativa privada para a administração futura do prédio. E, claro, o local também seria franqueado a eventos de interesse municipal, como a Expo Mogi e a Festa do Divino, esta última esteio financeiro des obras sociais mantidas por entidades também subsidiadas pela Prefeitura.

Pinhal não indica valores iniciais para um projeto de peso. O Centro de Convenções seria construído em uma área de 10 mil a 12 mil m² – hoje, o CIP tem 6 mil m², além de espaços como uma concha acústica para shows e uma área de entretenimento e esporte (veja matéria nesta página).

Um dos diferenciais seria a construção de um estacionamento subterrâneo, que também poderia ser usados em outros dias fora daqueles destinados a grandes eventos.

A localização defendida pela dupla é a do próprio CIP por questões estratégicas como a localização nas proximidades da via perimetral e da Rodovia Mogi-Dutra.

Pinhal projeta a construção de um outro prédio, quem sabe, no terreno existente ao lado da Avenida Cívica ou no imóvel da Universidade de São Paulo (USP), pleiteado por Mogi, em outros momentos, em frente ao Mercado do Produtor Minor Harada, onde acontece hoje o Varejão aos domingos. Nesse espaço, poderiam ser acomodados serviços como o Pró-Hipér. “Tudo é uma questão de se alinhar com os interesses da cidade”, acrescenta.

Ao apresentar a sugestão, Josemir e Pinhal dizem que ela nasce como um sonho. “Como sonhar não custa, e as boas ideias começam assim, quem sabe o prefeito, o bispo, não gostem da ideia?”, arremessa o ex-festeiro.

Espaço pode acomodar 16 mil pessoas

A ideia é aliar o Centro de Convenções de Mogi das Cruzes, o Divinão, a um espaço de múltiplo uso, como shows e a atração do público em uma pista de caminhada inspirada na cadeia de morros da Serra do Itapeti, denominada “serra metálica”, que teria altos e baixos níveis e equipamentos acessíveis para permitir a passagem de cadeirantes e pessoas com restrições motoras pela alameda verde. “Esse trajeto delimitaria o espaço interior da praça de eventos, inclusive com plantas nativas, para compor com a visão que o frequentador terá do Itapeti”, diz o arquiteto Paulo Sérgio Pinhal.

‘divinão’ Além de abrigar a quermesse do Divino, o Centro de Convenções de Mogi, na mesma área do CIP , no Mogilar, poderia receber exposições, feiras e eventos, como a Expo Mogi. (Imagem: divulgação)

O prédio do CIP tem hoje 6 mil m², e seria derrubado para a construção da nova estrutura, que teria um estacionamento subterrâneo. Além disso, o prédio teria capacidade para o recebimento de 6 mil pessoas, e outras 10 mil na Praça de Eventos. “No total, seriam 16 mil pessoas circulando no local, ao mesmo tempo”.

Em 10 dias, segundo os organizadores, a Festa do Divino recebe um público de 250 mil pessoas. Por dia, pode ser estimada a passagem de 25 mil visitantes e voluntários.

A área para o estacionamento seria para 1,2 mil veículos, um espaço que poderia ser usado em outros dias da semana – e não apenas durante festas e exposições. “O estacionamento é uma fonte importante para centros de compra, como os shoppings. E esse poderia ser um atrativo para a Parceria Público-Privada”.

“Considerando as dificuldades econômicas atuais, pensamos no reaproveitamento da estrutura do atual CIP, que tem uma área aproximada de 6000 m², para com uma roupagem nova e uma atualização arquitetônica possa transformar em um Centro de Convenções como um vetor econômico, para a geração de renda e de empregos”.

Uma outra aposta é a concha acústica, planejada para prevenir a distribuição do som para os apartamentos, ela seria voltada para o novo prédio. “Seria um local para apresentações artísticas e musicais, com uma infraestrutura adequada e permanente”, contou.

A proposta prevê a manutenção do Pró-Hiper, construído ao lado do CIP Mauricio Najar. “Um serviço que possui grande aceitação popular seria preservado”.

‘Divinão’ foi pensado por Josemir Campos

Na história mais recente, a quermesse da Festa do Divino esteve em diferentes endereços até fincar raiz onde está hoje, com acesso pela Avenida Cívica, no prédio do CIP e na área do estacionamento para quem frequenta o Varejão, aos domingos.

Depois de deixar os arredores da Catedral de Santana, no início da década de 1990, ela percorreu dois pontos do Centro Cívico, onde está hoje a Casa do Advogado, e depois, onde é realizada a feira livre aos sábados, entre a Delegacia Seccional e o prédio da Previdência Social.

Ela também esteve, no início dos anos 2000, ao lado do Ginásio de Esportes, quando ainda não havia a atual Avenida Cívica.

Apenas em 2003, ela chegou ao CIP, para ali permanecer e ver os números do público e de atrações explodir.

Ao contar essa trajetória, o ex-festeiro e professor Josemir Ferraz de Campos pontua as mudanças que provocaram o crescimento recente. “E hoje, ela ainda cabe no CIP, mas está bem apertada. E nós sentimos que ela ainda tem muito a crescer”, considera Campos, morador no Mogilar e voluntário na quermesse.

Ao sugerir a elaboração de um projeto para o Centro de Convenções, Josemir espera propor uma mudança que favorecerá a festa e a cidade. “Mogi merece, é um centro da região, com fácil acesso para quem está no Litoral e também no Vale do Paraíba”, acrescenta.

Paulo Pinhal endossa: “Claro que é uma proposta inicial, que caberá mudanças, mas defendemos o mesmo espaço pela localização e alguns benefícios que a região possui, como a proximidade com os terminais de ônibus e trens”.

Pé Quente

Foi depois de um projeto para a utilização do antigo e desativado prédio da Telefônica feito por Pinhal que a ideia prosperou com a adaptação do espaço e a instalação do Centro Cultural, na Praça Monsenhor Roque Pinto de Barros.

O prédio da empresa estava praticamente desocupado. Após a publicação da sugestão em O Diário, e a adesão de artistas e outras lideranças, em redes sociais, a Prefeitura abraçou ideia, alinhavou os contatos com responsáveis pela empresa, até o sim para a transferência de uso. Foi assim que o edifício ganhou novo uso.

Eliane José

Eliane José

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