INOVAÇÃO

Cresce o mercado pet em Mogi das Cruzes

CARINHO ANIMAL Luana Oliveira de Almeida com a ‘cliente’ Sabrina é sócia-proprietária do estabelecimento no Alto do Ipiranga, ao lado do marido Marcos Pavan. (Foto: Eisner Soares)

No Brasil, mais de 50% dos lares têm um animal de estimação. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2016, 44,3% dos 65 milhões de domicílios brasileiros possuem pelo menos um cachorro e 17,7% ao menos um gato. A época, existiam no total 52,2 milhões de cães e 22,1 milhões de gatos no país. O número alto e em constante crescimento fez com que o mercado pet também evoluísse. Em Mogi das Cruzes isso não é diferente. Somente em um pet shop, no Alto do Ipiranga, são feitos cerca de 450 atendimentos por mês.

O lugar tem ainda um diferencial que chama a atenção dos clientes e os aproxima da equipe que atua por lá. Uma cafeteria com bolos, salgados e cafés especiais deixa o ambiente mais agradável para aqueles que preferem esperar no local enquanto os bichinhos tomam banho ou fazem a tosa.

“Há cinco anos eu estou nesse mercado, mas meu estabelecimento funcionava em São Paulo. Quando meu sogro começou a construir uma casa em Mogi, eu e minha esposa começamos a ver o mercado por aqui e descobrimos que estavam passando o ponto. Uma das coisas que nos chamou muita atenção foi a cafeteria e foi um dos motivos pelos quais decidimos comprar a loja. Há dois anos estamos aqui e tem dado muito certo”, contou Marcos Vinicius Pavan, 35, que comanda o estabelecimento ao lado da mulher, Luana Oliveira de Almeida, 30.

Na Capital, o negócio do casal seguia os moldes mais tradicionais. Agora, ele vê como uma vantagem o serviço que oferece. Além do bem-estar dos donos de animais, ele consegue ter uma relação mais próxima com o cliente o que, consequentemente, faz com que ele consiga conhecer melhor cada um que é cuidado por ali, seja ele cachorro, gato ou até mesmo coelhos. Marcos explica que cada um tem sua peculiaridade e, por isso, é importante ter esse conhecimento.

Hoje, o espaço conta com a atuação de dois funcionários, sendo um banhista e um grooming, que é um especialista em tosas. “Cada raça tem uma tosa comercial e a tosa específica da raça, depende muito de como o cliente quer. Então, temos o profissional especializado em determinar o que encaixa melhor. Algumas coisas não se pode fazer, porque faria mal ao animal. Existem até coelhos de raças específicas que precisam de uma tosa diferenciada”, explicou o proprietário.

No local, é possível ainda comprar diversos adereços para os animais. O pet shop oferece também o serviço de táxi, que busca os bichos em casa para o banho ou leva até mesmo para outros locais, de acordo com as necessidades dos donos. Para o futuro Marcos e Luana planejam implantar por lá uma clínica veterinária.

Claudia transformou paixão em profissão

“Desde criança eu tenho um amor incondicional pelos animais, principalmente pelos cães”, comenta Claudia Pondelek Nascimento, 46 anos, ao falar do início de seu canil, cerca de dez anos atrás. Por isso, ela garante que as reproduções são feitas com todos os cuidados necessários, além de muito carinho. Especializada em Yorkshires, ela decidiu trabalhar com a raça quando fez uma pesquisa de mercado e viu que estava em alta. Hoje, eles ainda se encontram no ranking das 10 raças mais vendidas do mundo.

NEGÓCIO Claudia Pondelek decidiu trabalhar com a raça yorkshire, após pesquisa de mercado. (Foto: Eisner Soares)

Quando decidiu levar a paixão pelos cães como profissão, Claudia foi morar em um sítio, onde pôde aprender na prática sobre a profissão. Ficou por lá durante seis meses, até voltar para casa com seis Yorkshires, sendo cinco fêmeas e um macho. Em poucos meses terminou a construção de seu próprio canil e deu início a sua carreira. Mesmo sendo formada em Biologia e Gestão Ambiental foi estudar ainda mais e conversou bastante com veterinários da cidade sobre os principais cuidados que deveria tomar.

“Um dos fatores mais importantes para mim é a ligação consanguínea. Sobre hipótese alguma eu promovo acasalamento entre parentes, por mais distantes que eles sejam. Também levo muito em consideração o tamanho das matrizes. Se a fêmea tiver menos de 2,2 kg, por exemplo, eu não ponho para reprodução. Eu sou contra miniaturas e trabalho sempre com o tamanho padrão. Pode acontecer de nascerem exemplares pequenos, mas nada porque eu planejei. E, quando acontece, eles têm um tratamento diferenciado e só são vendidos quando estão mais velhos”, explicou a dona do canil.

O espaço comandado por Claudia ainda agregou mais um serviço depois dela fazer um favor a uma amiga. Ela tinha uma viagem marcada e pediu para que a bióloga cuidasse do cachorro dela por alguns dias. Foi assim que o serviço de hotel começou. A hospedagem, entretanto, é diferenciada e, por isso, só podem ficar por lá os cães com menos de 10 kg.

“Os cães ficam aqui dentro de casa mesmo, que já é mais deles do que minha. E isso é muito bom, porque eu sei das particularidades de cada um, qual deles tem alergia, qual precisa de medicação e por aí vai. Então, os donos confiam em mim e sabem que aqui eles estarão bem cuidados e conseguimos criar uma relação de amor, amizade e confiança”, ressaltou.

Tendo essa proximidade com os tutores dos animais, ela vê ao longo dos anos uma mudança nos cuidados, o que ela acha muito bom. Hoje, ela acredita que as pessoas têm diversas preocupações com os bichos, como a higiene deles e do local aonde estarão, com a alimentação e também com a saúde. Além disso, ela conta que muitos desses donos pedem conselhos a ela, sobre como mudar certos hábitos dos animais, principalmente daqueles que são mais “mimados”.

Este é mais um ponto positivo que ela vê na hospedagem dentro de casa. Lá, os cães são obrigados a socializar e acabam aprendendo muitos conceitos, como o de divisão. Não para menos, já que hoje Claudia tem 35 cães, além de uma gata e um casal de jabuti.

Mia é tratada como ‘filha’ e ‘neta’

Morando com os pais a mogiana Marilusy Soares Fernandes, 49, sempre conviveu com cachorros em casa. Quando foi morar sozinha não pensava em ter um pet, já que trabalha o dia todo e não queria deixar o animal sozinha. Até que, em 2014, ela ganhou um filhote de Shitzu e foi amor à primeira vista. Mia foi o nome dado à cachorrinha, que hoje é como se fosse filha da funcionária pública.

‘MÃE’ Marilusy Soares Fernandes revela que sua relação com a Mia foi ‘amor à primeira vista’. (Foto: Eisner Soares)

“O problema de ficar sozinha em casa eu resolvi com a ajuda da minha mãe. Todos os dias antes de trabalhar eu levo ela para a casa da ‘avó’ e antes de voltar pra casa vou buscar. É como se fosse uma criança mesmo”, brinca Marilusy. Os cuidados com a ‘bebê’, que completa seis anos em dezembro, são inúmeros.

Um dos problemas de saúde recorrentes da raça é ter alergia, o que acontece com Mia. Ela não pode comer certos alimentos, como arroz e cenoura, e também não come ração. Semanalmente Marilusy compra porções de comida natural para ela, que levam carne e frango feitos de maneira especial para os pets. Também uma vez por semana Mia é levada ao pet shop para tomar banho. “Sábado é o dia dela. Ela já tem horário fixo e 9 horas está lá para tomar banho”, conta a ‘mãe’.

Quando Marilusy vai viajar também recorre à casa da mãe para que Mia fique hospedada. Por mais que confie em alguns estabelecimentos da cidade, ela diz ficar preocupada de deixar em outros lugares. Mia chegou a frequentar uma creche diariamente, mas ela não se relaciona muito bem com outros cachorros, prefere os humanos. Então, ela ficava estressada, o que também atacava sua alergia.

“Hoje eu tenho dois pet shops de confiança. Quando não dá para levar em um recorro ao outro. Mas ela é muito carinhosa e por onde passa é muito bem tratada. Em casa, ela fica o tempo inteiro comigo e dorme na minha cama. Ela não consegue subir e descer sozinha, então quando deito ela já pede para eu colocá-la comigo e se ela acorda na madruga eu desço ela. Tem que cuidar o tempo inteiro”, frisou Marilusy.

Larissa Rodrigues

Larissa Rodrigues

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