Total de casos de Covid-19 no Alto Tietê cresce 737% em 30 dias

Os casos confirmados do novo coronavírus (SARS-Cov-2) nas 10 cidades do Alto Tietê apresentaram crescimento de 737% no recém-completo segundo mês de circulação na região, de acordo com dados oficiais das Vigilâncias Epidemiológicas.

O primeiro diagnóstico de Covid-19 no território foi confirmado no dia 11 de março – referente a uma moradora de Ferraz de Vasconcelos. Após 30 dias, 175 pessoas haviam testado positivo para a doença. Já no término do segundo mês (11 de maio), esse número saltou para 1.465.

As informações mostram que houve uma explosão no número de infecções no período, que segue elevação exponencial nas cidades, apesar das medidas restritivas impostas pelas prefeituras e pelo Governo do Estado.

De forma resumida, após um mês da testagem do paciente número um na região, 175 casos de Covid-19 foram confirmados no Alto Tietê, enquanto no segundo houve 1.390 – um número quase oito vezes maior.

A elevação faz pairar dúvidas sobre o avanço da pandemia no Alto Tietê, onde a quarentena – decretada com o objetivo de mitigar a proliferação do vírus – não tem sido amplamente respeitada, conforme noticiado na edição de ontem de O Diário. O resultado é visível: enquanto o índice de isolamento social apresenta queda na região, a curva de crescimento de casos da doença segue ascensão.

“Uma análise da pandemia no Alto Tietê e no Estado de São Paulo responde conforme tínhamos imaginado: seu pico maior será no final de abril e começo de maio”, argumenta Adriana Martins, coordenadora da Câmara Técnica de Saúde do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat).

“Nos últimos dias tivemos um aumento de casos e de óbitos, similares ao de nossas projeções, o que devemos pensar daqui pra frente é que o isolamento social vai ser fundamental na definição deste quadro. Os municípios estão preparados e empenhados naquilo que é possível na condição deles, porém ainda falta apoio do Estado na definição clara nas referências de UTI para todas as cidades do Alto Tietê, que é fundamental”, acrescenta a coordenadora.

Adriana volta a defender que as pessoas permaneçam em casa. “É nítido que o isolamento social está se perdendo, as pessoas estão nas ruas. O quadro de novos casos, com certeza, está relacionado também à diminuição do isolamento”, destaca. “O vírus não anda, nós é que levamos ele, por isso é muito importante ficar em casa. Nos estamos em uma fase muito crítica aqui na região metropolitana de São Paulo”, completa.

O cenário da pandemia vivido atualmente é totalmente diferente de quando ela havia recém-chegado ao Alto Tietê. Em março, as 10 cidades levaram uma semana inteira para subir de um para dois casos confirmados da Covid-19. Nos sete dias seguintes, foram mais 11 pacientes diagnosticados. Enquanto apenas ontem houve 57 novos casos.

No início do surto, os municípios levaram 25 dias para ultrapassar as 100 primeiros ocorrências da doença. Atualmente, apenas a média diária de novos casos é superior a 110, com base em números dos últimos cinco dias. O crescimento médio foi de 10% – quase o dobro da média nacional no mesmo período, que somou 6,6%.

Já o primeiro óbito da região foi contabilizado em 30 de março, em Suzano. Antes, no dia 16, o Governo do Estado havia adotado restrição de serviços e de circulação de pessoas. Desde o início de abril, novas mortes foram notificadas praticamente diariamente nas cidades.

Após 30 dias, esse número havia subido para 88. Até ontem, o volume tinha mais do que dobrado, em 159, mesmo antes do término do segundo mês.

Com base nos dados fornecidos pelo Condemat, o engenheiro José Roberto Kachel simula que a região confirmará mais 10.381 casos de Covid-19 até o dia 30 de junho, caso os fatores de transmissão continuem os mesmos. “Considerando a taxa de mortalidade observada da doença serão 726 mortes até esta data”, afirma.

“Até o momento, minhas previsões para o Estado de São Paulo estão acertando. Isso mostra que além do presente, precisamos olhar para o futuro. A situação é grave e a matemática comprova isso”, alerta o profissional.


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