TRÂNSITO

Em debate, o futuro da mobilidade urbana em Mogi das Cruzes

PLANOS Os projetos para melhorar a mobilidade dos mogianos e dos visitantes visa conter os problemas verificados em determinadas vias, principalmente nos horários de pico. (Foto: Eisner Soares)
PLANOS Os projetos para melhorar a mobilidade dos mogianos e dos visitantes visa conter os problemas verificados em determinadas vias, principalmente nos horários de pico. (Foto: Eisner Soares)

A história de Mogi das Cruzes é marcada pelas conquistas na mobilidade urbana. Foi com a chegada da estrada de ferro, na segunda metade do século XIX, que a cidade se tornou um importante ponto de parada para quem viajava entre Rio de Janeiro e São Paulo. Depois vieram a ligação da cidade com Bertioga, até a rodovia Presidente Dutra, e a melhoria dos acessos às cidades vizinhas. Mais recentemente, o fim da segunda passagem em nível no trânsito central, com a construção do Complexo Viário Jornalista Tirreno Da San Biagio, entre as vias Ricardo Vilela, Adhemar de Barros, Cabo Diogo Oliver e a Hamilton Silva e Costa. O tema segue como um desafio quando se projeta a cidade ainda a ser construída no futuro e as demandas atuais, que precisam ser sanadas. Quais são os caminhos a serem seguidos? A seguir, O Diário mostra os projetos a curto e longo prazo a serem desenvolvidos para proporcinar a mobilidade dos cidadãos.

O secretário municipal de Planejamento e Urbanismo, Claudio de Faria Rodrigues, acaba de finalizar o projeto do Plano Diretor, discutido desde 2017. Nele, a Mogi do futuro terá um anel viário concluído, o trem chegando até César de Souza, além de outros projetos, como o +Mogi EcoTietê, que prevê melhorias para a região leste da cidade (veja outras matérias nessa página). Todas essas metas visam melhorar o escoamento do trãnsito, hoje motivo de muitas reclamações dos moradores.

Além das áreas mais periféricas da cidade, que são tratadas a seguir, o Plano Diretor também traz um eixo de desenvolvimento para a região central, tornando a região mais funcional. “Ele vai estimular novas atividades na região central, para que ali tenha vida. E isso não é só comércio, também tem incentivo em moradia. O nosso estudo entendeu isso por conta da estrutura do transporte público que tem o terminal e a CPTM, para que a gente tenha um adensamento, que reflete na infraestrutura que as pessoas terão à disposição, gerando mais qualidade de vida”, destaca Claudio.

O projeto foi aprovado em meados de dezembro último na Câmara Municipal, após sofrer 14 emendas. O grande desafio é acelerar a execução dos projetos. O +Mogi EcoTietê, por exemplo, já teve o financiamento aprovado, mas a execução ser dará em longos cinco anos.

Duplicação da Volta Fria é antigo pedido

PENDÊNCIA Moradores cobram melhorias na Volta Fria há décadas. (Foto: arquivo)

A região Sul de Mogi das Cruzes foi contemplada no ano passado com um dos maiores projetos de mobilidade da cidade: a construção da Avenida das Orquídeas e, um pouco antes disso, com a revitalização da avenida Guilherme Giorgi, dentro do projeto do corredor Leste-Oeste.

A nova opção já desafoga o trânsito na SP 66, antes a principal ligação do eixo Mogi-Suzano. Mas para essa região há ainda uma promessa de melhoria a curto prazo, com a duplicação da Estrada da Volta Fria, uma promessa feita pelo Governo do Estado, que irá melhorar, ainda, a ponte do Rio Tietê.

Para o secretário municipal de Planejamento e Urbanismo, Claudio de Faria Rodrigues, com a melhoria também proposta para a Estrada do Pavan – dentro do programa de concessão das rodovias que levam ao litoral norte – o trânsito pesado de veículos deverá ser direcionado por esses dois trajetos. “Eu não tenho dúvidas de que a gente fecha um grande projeto viário para a região sul da cidade, que abrange dois grandes distritos, como Braz Cubas e Jundiapeba”, detalha.

Seis quilômetros de vias de César e o Nova Mogilar

Para resolver o imbróglio que se tornou o trânsito na região de César de Souza, a Prefeitura de Mogi das Cruzes aposta no Programa+Mogi EcoTietê. O projeto que já teve financiamento liberado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e deverá ser executado em até cinco anos. No total, devem sair do papel seis quilômetros de novas vias, 30 km de ciclovias, e opções para quem transita entre César de Souza, Botujuru, Socorro, Rodeio e o Centro.

Entre as propostas estão a construção de uma via paralela à avenida Ricieri José Marcatto, hoje travada nos horários de pico devido ao excesso de veículos. O acesso deverá ser criado entre as avenidas Vereador Dante Jordão Stoppa e Francisco Rodrigues Filho. O motorista contará ainda com mais uma opção para deixar César, com a continuação da rua Catarina Carrera Marcatto, no sentido Centro. Pelo projeto, ela segue a linha do trem, passa no Parque Centenário, bem como pelo nova rotatória da avenida Francisco Rodrigues Filho, onde está instalada a obra de arte do artista Rodrigo Bittencourt, até chegar na avenida Waldemar Costa Filho, entre o Rodeio e o Nova Mogilar.

Já no sentido contrário, saindo do Rodeio, o motorista vai poder fazer esse mesmo percurso até César de Souza, ou seguir à direita e ir até a avenida João XXIII, nas proximidades da avenida Narciso Yague Guimarães.

Falta recurso para concluir a Perimetral

Para o secretário municipal de Planejamento e Urbanismo, Claudio de Farias Rodrigues, o fim do anel viário atenderá a Miguel Gemma, que hoje possui problemas. (Foto: Arquivo)

Assim como o governo do estado encontrou no Rodoanel a possibilidade de motoristas acessarem os extremos das regiões metropolitanas de São Paulo sem precisar passar pela região central, Mogi das Cruzes busca concluir o anel viário denominado Via Perimetral. Desde o fim dos anos de 2000 uma parte da obra viária ainda precisa ser finalizada. Segundo o secretário municipal de Planejamento e Urbanismo, Claudio de Faria Rodrigues, essa última etapa interligará as rodovias Mogi-Bertioga com a Mogi-Salesópolis, e esta última à Mogi-Guararema, unindo regiões como o Caputera, Cocuera e César de Souza.

“Com essas intervenções, no futuro, a gente deve ter melhorias até para a remodelação da avenida Miguel Gemma, que também é uma demanda antiga. Esse anel viário vai ser prioritário também para ajudar o escoamento das cargas do cinturão verde, seja para o litoral sul pela Mogi-Bertioga, ou ainda pela Avenida das Orquídeas e o Rodoanel, rumo a Santos”, destacou Rodrigues.

Ainda de acordo com o secretário, o chamado trecho Sul da Perimetral foi orçado em R$ 120 milhões, e o projeto já foi submetido ao governo do estado e ao Ministério do Desenvolvimento Regional, do governo federal, mas ainda não foi autorizado. Ou seja, não há previsão sobre quando o projeto poderá ser executado.

Trem até César: CPTM vê inviabilidade técnica

A atualização do Plano Diretor menciona para o futuro de Mogi das Cruzes uma proposta do passado: a ida do trem de passageiros até o distrito de César de Souza, como uma etapa seguinte à modernização das estações da cidade. Em 2011, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) chegou a fazer um relatório técnico para a concretização do projeto orçado, naquele momento, em R$ 37,5 milhões. À época com a população do distrito menor, a estatal detectou a viabilidade na expansão, com o acréscimo de cerca de 9% no volume de passageiros que utilizam o transporte sobre trilhos. Hoje, a estatal diz que projeto é inviável.

Presidente da Associação dos Moradores do Jardim São Pedro e Região, Adalberto Santana de AndradeSouza, afirma que a luta pelo trem até o distrito deve ser retomada assim que a Câmara e a Assembleia Legislativa retomarem as atividades. Segundo ele, a zona sul de São Paulo está conquistando novas estações e melhorias graças à vontade política dos parlamentares que representam aquela região.

“Quando começamos a luta pelo trem até César, nem se falava da estação em São Mateus e também em algumas regiões da zona sul. Eles conseguiram, então a gente precisa de uma força política para isso, e é preciso lembrar que este é um ano eleitoral”, diz.

Andrade fundamenta que a importância do trem até César para muitos trabalhadores que precisam pegar a primeira composição, às 4 horas, e que hoje vão a pé ou de bicicleta.

A estação seria instalada próxima ao conjunto residencial João XXIII, de modo que não afetaria o trânsito na passagem em nível da avenida Riciei José Marcatto.

Em resposta, a CPTM afirma que a extensão da Linha 11 é inviável tecnicamente, “o trecho em questão é uma faixa de domínio sem eletrificação e designada apenas para o transporte de cargas”.

Explica ainda que os projetos de adequação funcional das estações mogianas, contemplando as normas de acessibilidade, sistemas de detecção e combate a incêndio e NR24 estão em fase de desenvolvimento, com encerramento previsto para o segundo semestre de 2020. Somente depois disso, serão serão elaborados os orçamentos, ficando a abertura do edital de contratação das obras vinculada à liberação dos recursos necessários.

Cidade possui apenas 26 quilômetros de ciclovia

A melhoria da mobilidade nas cidades passa pela adoção de meios de transporte mais sustentáveis como a bicicleta. Atualmente, Mogi das Cruzes tem 26 quilômetros de ciclovias, quantidade que o coordenador do movimento Bici Mogi, Jair Pedrosa, diz ter evoluído muito pouco nos últimos anos. Para reverter esse quadro, ele acredita que a cidade precisa ir além do Plano de Mobilidade, e criar um projeto voltado exclusivamente ao ciclismo. A Secretaria Municipal de Transportes, de seu lado, diz que a ampliação dessa malha depende da obtenção de recursos financeiros, ou seja, não há prazos imediatos para o atendimento desse pleito.

Pedrosa admite que a cidade inovou quando determinou que para toda grande obra seja construída uma ciclovia, assim como já ocorreu na Avenida das Orquídeas. Além disso, o Plano de Mobilidade Urbana de 2016 previu que em até 10 anos fosse dobrada a quilometragem de caminhos para os ciclistas, mas pouco foi feito nestes quase quatro anos. “A expectativa era de chegar, ao menos, a 40 quilômetros, mas hoje a gente tem uma média de 25 quilômetros. Isso mostra que a gente ainda tem dificuldade na implementação dessas políticas, por isso eu defendo um Plano Ciclístico”, pontua.

Os projetos da cidade ainda não incluem o ciclista, avalia o coordenador, quando a Prefeitura retira o bicicletário de dentro do Terminal Central e o coloca ao lado de fora do equipamento, e também quando uma nova empresa assume o Terminal Rodoviário Geraldo Scavone e apenas reforma o estacionamento, mas não cria um bicicletário seguro aos passageiros. “A Prefeitura nos diz que as novas estações de trem terão bicicletário, mas quanto tempo isso vai demorar? A estação de Suzano tem um bicicletário para quase 600 bikes e está sempre cheio. Aqui na cidade não tem essa preocupação”, detalhou.

O coordenador critica ainda a situação da ciclovia da avenida Governador Adhemar de Barros, que é instável, conforme diversas matérias publicadas neste jornal, e também a adequação da ciclovia da avenida João XXIII que, segundo ele, obriga que a via tenha a velocidade reduzida para 40 km/h, enquanto lá o motorista pode circular até 50 km/h.

A Prefeitura

A Secretaria Municipal de Transportes garanta que desenvolve uma série de projetos eações de melhoria da mobilidade urbana, baseadas no Plano Municipal de Mobilidade Urbana. O documento destaca como um eixo importante a valorização do transporte não-motorizado, como a circulação com bicicletas ou a pé.

Atualmente, a cidade conta comuma rede de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas com 26,42 quilômetros, além de 2,8 quilômetros do projeto Pedala Mogi, desenvolvidos apenas nos domingos. No ano passado, declara a entrega de 3,35 quilômetros de ciclovias na avenida das Orquídeas, que – conectada com as rotas das das avenidas Guilherme George, Tenente Onofre Rodrigues de Aguiar e Cavalheiro Nami Jafet – absorveu parte da movimentação que utilizava a ciclofaixa das avenidas Governador Adhemar de Barros e Anchieta.

Há estudos para se ampliar esse total, “inclusive com busca junto ao Governo Federal de recursos para investimentos”, responde em nota.

Já sobre a manutenção das ciclovias e ciclofaixas, a pasta informa que ela “é realizada de forma rotineira, dentro da programação das secretarias municipais envolvidas. Frente à reclamação, será feita uma verificação na ciclofaixa do corredor formado pelas avenidas Governador Adhemar de Barros e Anchieta para levantamento de providências que precisarão ser adotadas”.

Já com relação à avenida João XXIII, a Secretaria afirma que a via possui limite de velocidade variável, de acordo com as recomendações técnicas referentes às características da via. Ao longo da via, existe o limite de 30 km/h, 40 km/h e 50 km/h, conforme indicado pela sinalização. Para ampliar a segurança viária, em vários pontos da avenida estão instaladas lombadas, como forma de diminuição de velocidade dos veículos.

Além disso, nos locais de maior velocidade, a avenida possui pontos de fiscalização com equipamento estático. É importante lembrar, por fim, que a avenida João XXIII conta com sinalização de ciclorrota, em que o leito viário é compartilhado entre veículos e as bicicletas.

A Prefeitura conclui, lembrando que de acordo com a legislação federal, os veículos devem obedecer uma distância mínima de 1,50 metro do ciclista e trafegar com uma velocidade segura, independente do limite de velocidade da via.


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