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Folclore Político (LXXVII) Tem cavalo na linha

Ao final de um longo dia de trabalho na Prefeitura, o prefeito Marcus Melo chega em casa e, rapidamente, começa a se preparar para um compromisso noturno, etapa final de sua agenda naquele dia. Mal saído do banho, ele ajustava a gravata, quando a mulher Karin veio lhe chamar. Da janela lateral do apartamento do
casal no Landscape By Helbor que dá para os lados da Serra do Itapeti, uma situação inusitada chamava a atenção da primeira dama. Sobre o trecho da linha férrea, ao lado do condomínio, caminho para César de Souza, um cavalo permanecia estático. “Ele sairá logo dali”, minimizou o prefeito, diante da esposa, persistente: “Faz tempo que ele está naquela posição, sem se mexer”, replicou. “E o pior é que está chegando a hora da passagem do trem de carga noturno e o animal pode morrer e ainda provocar um grande acidente”. A insistência e a preocupação da mulher levaram o prefeito a apressar ainda mais os ajustes finais no terno e a saída para o evento da noite. Antes, no entanto, para tranquilizar Karin, passou por um guarda de cancela das proximidades e o avisou do cavalo, ainda estático sobre a linha do trem prestes a passar. O guarda assegurou providências e o casal seguiu para o compromisso social do prefeito. A história acabou esquecida e só no dia seguinte, ao tomar conhecido do relato do guarda, o prefeito  realmente se espantou. Segundo o funcionário, o animal, com problemas de saúde, acabou preso entre os dormentes e os trilhos. Por isso, teve de ser retirado às pressas, para que a composição de carga passasse pelo local, com toda segurança. Levado ao Setor de Zoonoses da Prefeitura, recebeu tratamento e curativos. Daquele dia em diante, a expressão “tem boi na linha”, ganhou outro significado na casa dos Melo. Agora é cavalo.

Tá na lei! – 1

Especialista em legislação, o advogado Mário Kauffmann envia à coluna cópia de decreto regulamentando a Lei nº 8.918, de 14 de julho de 1994, responsável pela padronização, classificação e registro, inspeção, produção e fiscalização de bebidas. Seu artigo 53 diz, por exemplo, que “cachaça é a denominação típica e exclusiva
da aguardente de cana produzida no Brasil, com graduação alcoólica de 38% a 48 % em volume, a 20 graus celcius, obtida pela destilação do mosto fermentado do caldo de cana-de-açúcar com características sensoriais peculiares, podendo ser adicionada de açúcares até seis gramas por litro”.

Tá na lei! – 2

Em seu parágrafo 1º, a lei estabelece que “a cachaça que contiver açúcares em quantidade superior a seis gramas e inferior a 30 gramas por litro será denominada cachaça adoçada”. Já o § 2º prevê que “será denominada de cachaça envelhecida a bebida que contiver, no mínimo, 50% de aguardente de cana envelhecida por período não inferior a um ano, podendo ser adicionada de caramelo para correção da cor”. A legislação segue , a ponto de estabelecer a composição original da
famosa caipirinha (cachaça, limão e açúcar), no § 5º de seu artigo 58. No § 6º, a lei diz que “o limão poderá ser adicionado na forma desidratada” (argh!).

Tá na lei! – 3

O presidente que preocupou com tudo isso não é quem o leitor pode estar pensando, mas o mineiro Itamar Franco, ao assumir a Presidência após a cassação de Fernando Collor, de quem foi eleito vice.

Os dez mais

O site Mapa da Cachaça (www. mapadacachaça.com.br) apresenta uma lista com dez políticos que são – ou foram – chegados a uma boa cachacinha. A relação tem Lula,  Barack Obama, Fernando Henrique, Tancredo Neves, Aécio Neves, José Alencar, Jânio Quadros, Dilma Rousseff, Carlos Átila (ex-ministro do TCU) e até Carlota Joaquina, dos tempos do Império.

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