PROBLEMA

Mato alto cobre sinalização e aumenta o risco de acidentes na Estrada Nagao

Motoristas enfrentam dificuldades para visualizar placas de sinalização da Estrada do Nagao. (Foto: Eisner Soares)

Quem trafega pela Estrada Fujitaro Nagao encontra dificuldades para visualizar as placas de sinalização de trânsito encobertas pelo mato alto. A vegetação avançou pelas margens da pista, tornando-a mais estreita, o que obriga pedestres e motoristas a dividirem o mesmo espaço, aumentando o risco de acidentes. Não há acostamento no acesso que liga as rodovias Mogi-Salesópolis (SP-88) e Mogi-Bertioga (SP-98). Em novembro de 2009, O Diário denunciou a mesma situação e quase 10 anos após a publicação da reportagem, o problema persiste.

Placas como as que delimitam o limite de velocidade, alertam para curvas acentuadas e sinalizam a parada obrigatória estão invisíveis em alguns trechos da estrada. O morador Ronaldo Leme acredita que a falta de visibilidade torna o trajeto mais perigoso. Segundo ele, os trabalhos de roçada e de manutenção da via são feitos com uma periodicidade incompatível com a necessidade da região agrícola, que também recebe intenso tráfego rodoviário, em especial, aos finais de semana. “A Prefeitura não tem compromisso com a região, já faz alguns meses que o mato da pista não é cortado. O risco de acidente sério acontecer é muito grande”, relata.

A Estrada do Nagao é um acesso alternativo entre as rodovias Mogi-Salesópolis e Mogi-Bertioga em uma região agrícola que passou, com o decorrer dos anos, também a ser ocupada por um número considerável de chácaras e casas. A pista simples, com duas faixas de tráfego, dá acesso ainda ao Casarão do Chá, espaço cultural que abre aos domingos e recebe visitantes de outras cidades. Quem transita a pé – moradores e estudantes – não têm outra opção a não ser ocupar o espaço destinado aos veículos para desviar da vegetação. “As pessoas ficam entre o matagal e os carros”, relata Ronaldo.

Segundo ele, o trecho mais perigoso da estrada fica na altura do km 5. A curva estreita e mal sinalizada já causou diversos acidentes.

Reportagem de 2009 publicada em O Diário traz o relato do pastor Adalberto de Moraes, que morava em uma rua perpendicular à estrada, e ministrava cultos em uma igreja às margens da via. “A gente ainda por cima precisa conviver com isso, os carros descem esta ladeira em altíssima velocidade, fazendo a curva com dificuldade. Estudantes e outras pessoas em geral precisam ficar entre o matagal e os carros. É muito perigoso, terrível. Causa muitos acidentes”, disse, há 10 anos. Além disso, complementou: “No final de semana, principalmente, as coisas apertam. Os caminhões não desviam dos pedestres. Se a pessoa não se jogar no mato, termina sendo atropelada”.

Severina Siqueira mora em frente à curva e fala sobre a manutenção do mesmo quadro de problemas durante uma década. “Muitos carros já bateram no meu portão. Foram acidentes sérios onde as vítimas tiveram que ir correndo para o hospital. Isso acontece todo ano, além disso, já teve gente que foi atropelada, por causa da falta de espaço na pista”, diz a moradora.

Severina se indigna por cobrar soluções há mais de 10 anos. “A demora nos obriga a limparmos o mato por nossa conta, caso contrário, não dá nem para andar. Segundo ela, os acidentes são constantes nos feriados, quando o número de usuários aumenta já que o acesso liga as duas rodovias. “Só uma lombada já ajudaria, é uma curva muito fechada, aqui mal tem sinalização e quando tem está coberta pelo mato”, lamenta.

Quem transita a pé na estrada é obrigado a dividir a pista com os automóveis. (Foto: Eisner Soares)

Questionada sobre o problema, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos informa que está programada para a primeira quinzena de junho uma nova frente de roçada do mato às margens da Estrada Fujitaro Nagao. A pasta informa que serviço semelhante foi feito pela última vez no último dia 9 de janeiro, ocasião em que realizaram 19.170 metros de roçada e 9 mil metros de raspagem.

Sobre a frequência dos trabalhos, a Secretaria diz “que é responsável pelo serviço em todo o município e que também atende as demandas de acordo com a urgência em cada ponto, razão pela qual não há uma periodicidade fixa. Os trabalhos são executados de forma cíclica e há um monitoramento constante das condições das vias e estradas da cidade.”

Já a Secretaria Municipal de Transportes informa que está no planejamento da pasta a realização de um projeto de revitalização da sinalização da via, bem como implantação de medidas que visam a redução de acidentes, tais como colocação de placas informando a velocidade máxima permitida, de advertência, legendas e também sinalização horizontal. O objetivo é reforçar a segurança da via como um todo.