CHICO ORNELLAS

A antiga pelada volta dia 19

DEPOIS DO FUTEBOL – Uma das raras fotos da turma das peladas dominicais no campo do Clube Náutico. Perdoe-me pela não identificação; deixo-a para o prezado leitor.

Mogi de A a Z

O propósito é reviver no domingo, 19 de maio, as antigas peladas futebolísticas que faziam a alegria das manhãs domingueiras em tempos áureos do Clube Náutico Mogiano. Um grupo de sócios arregimenta velhos participantes, abre espaço para novos e fará a disputa seguida de churrasco.

A história desses eventos ficou preservada, em grande parte, pelos apelidos dos atletas, muitos dos quais conferidos pelo Cascão, presença certa em todos eles. Ele próprio acabou tendo o apelido imortalizado em personagem de histórias em quadrinhos, do desenhista Maurício de Sousa.

Eles podiam nem ser amigos próximos. Mas, nas manhãs de domingo, tornavam-se companheiros de muito tempo, no campo de futebol do Clube Náutico. Nas décadas de 1960 e 1970, as peladas disputadas ali se tornaram emblemáticas do companheirismo que caracteriza o mogiano. Os lances mais duros eram exceção e sempre seguidos de pedidos de perdão e abraços calorosos. Pelo que me tenha chegado, jamais houve rixas mais sérias.

Prova disso é a coletânea que se segue, com os apelidos de boa parte dos atletas dominicais:

Advogado do Diabo / Ajax / Alemão / Amarelinho / Andu / Ângela Maria / Aquiles / Arnaldo Pizzo / Arroz Brejeiro / Banquete de Cachorro / Barbosinha / Barca / Barraca / Barrosinho / Bene Mazza / Benê Seco / Berê / Bezê / Bimbo / Boca de Comer Lavagem / Boneco (Engellender) / Boquita / Bosco / Brasileiro / Brelão / Brelinho / Brucutu / Bugrão / Bundão Filho / Bundão Pai / Burro Velho / Cabeça de Gato / Cabeça de Pinhão / Cachorrinho Louco / Cafuringa / Calixto / Cana / Carbone / Carlão (carpete do amor) / Cascão / Cavaleiro Negro / Cavalo das Almas / Caveirinha / Cebolinha / Ceguinho / Cepam / Chico Louco / Chico Mineiro / Chico Parada / Chiquito / Chutinho / Cia / Cícero Book / Cícero Da Rós / Cirinho / CK14 / Colela / Corinthinha / Cridinho / Cuco / Cyborg / De Sordi / Discolândia / Dito Moretti / Dodô / Dona Pepa / Dori Boucault / Dori-Irmão Zé Mellmann / Élcio (Light) / Espanhol / Espingarda / Fábio Geléia / Falcão / Figueira / Filé / Funhanha / Futuca / Galinho / Gasolina / Geléia / Geraldão da Mogicar / Getulinho / Ginger Ale / Gordini / Gouveia (Adega) / Grilo / Guran / Hideki / Hiro / Ivan Pescoço / Jabazão / Jabazinho / Jacaré / Jadir / Jaime Pacca / Jair Ultra / Javali / Jiló / João Brow / João Pateta / Jura / Kokinho / Lalau / Lelão Pompéia / Maçaneta / Magnólio / Mala / Mané Gambiarra / Mané Taturana / Manezão (da Ponte Grande) / Márcio Bonecão / Mário Barca / Marquinho Costa (Falcon) / Martelo Sem Cabo / Mata Cobra / Mau-Mau / Mazzaropi / Meio Kilo / Merda-Branca / Minhoca de Óculos / Miquitório do Cinema Parque / Molizane / Moura Santos / Mula Manca / Musolino / Nagao / Nata Novo / Nata Véio / Ney Cuscuz / Odair Donzela / Orlando Travanca / Padovani / Padreco / Pai / Papa Berne / Papai Noel / Pardal / Pascoalin / Paulinho Lamparina / Pé de Leque / Pedroka / Peito de Pomba / Penteadinho / Pezão / Pirola / Pirulito de Carne / Plinio Mascrinha / Pneu Mucho / Porquinho Ayres / Porquinho Professor / Português / Potrinho / Pudim de Pinga / Queiroga / Queixada / Querosene / Rivelino / Robertinho / Roberto Dias / Roliço / Roma / Ronaldo Português / Rubinho / Sabaúna / Santinho / Sérgio (irmão do Tibúrcio) / Sérgio Mogicar / Servilio / Shizu / Shumaker / Silveirinha / Tarzan Brasilero / Tatu / Telly / Teseu / Tiburcio / Ticuia / Ticuinha / Tiririca / Tomasulo / Tonho Cantor / Toninho Caipira / Toureiro / Toyota / Turcão I / Turcão II / Tuti / Vela / Verdinho / Waldir da Ford / Xupeta / Zé Caipira / Zé Vasconcelos / Zé Vieira / Zebuzão / Zoinho / Zorro.

DEPOIS DO FUTEBOL – Uma das raras fotos da turma das peladas dominicais no campo do Clube Náutico. Perdoe-me pela não identificação; deixo-a para o prezado leitor.

Carta a um amigo

Lealdade como patrimônio

Jahíra Paiva, mulher mogiana de posições firmes, cultivadora das lealdades.

Querida Jahíra

Permita-me dispensar o pronome “dona”, que meus próprios pais nunca me impuseram. Longe de ser desrespeitoso, imagino-me apenas mais próximo, de uma pessoa que de muito me é referencial. Sua filha Maria Carmen já deve ter-lhe dito a alegria que sua carta gerou em minhas lembranças. Ela me chegou há quase um mês, mas era véspera de uma viagem que faria com Nanci e não queria tratá-la com pressa. De retorno, tomo-a com carinho e permito-me compartilhar com o leitor:

“Prezado Chico, paz, sabedoria, força e luz!

Só você, este jornalista exímio, foi capaz de resgatar (na hora certa) a história da construção da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, do bairro do Ipiranga (O Diário-10/3/2019).

Eu estaria me sentindo magoada, ao ler as reportagens da comemoração do Jubileu de Ouro desta obra, sem haver nenhuma referência básica da família do sr. Natal Salemi e sra, alicerces desta construção: os doadores do terreno, o qual havia sido pesquisado e escolhido pelo próprio dom Paulo Rolim Loureiro. Omissão bem grave.

Eu possuía uma foto desta solenidade – a entrega da escritura pelo Natal Salemi a dom Paulo. Foto esta que enviei, por intermédio do padre João Motta, ao bispo diocesano dom Pedro Luiz Stringhini.

Chico, com certeza nos arquivos da paróquia devem estar os livros de ata de todas as reuniões deste trabalho, os quais foram ignorados nestas comemorações.

Meu abraço sincero e agradecido.

Jahíra Cúrio de Carvalho Paiva.”

Conto-lhe, querida Jahíra, um dos motivos que me retém em Mogi: em uma comunidade como a nossa, as amizades são claras ou não existem; são sólidas ou perecem; a deslealdade, por aqui, não prospera no anonimato. Em nosso caso, as raízes vão para mais de 100 anos, desde que o próprio Natal Salemi – e também Florêncio Paiva – acalentavam amizade com meu avô Leôncio.

Eu próprio, amigo de seus filhos, estive em muitas das domingueiras que reuniam jovens em sua casa da Rua Ipiranga. Tudo isto, creio, justifica sua determinação, de 1966, ao sair em minha defesa em um imbróglio sem lógica: era o tempo do Cursilho de Cristandade e eu me inscrevera para uma das edições. Postulações eram, então, colocadas sob o crivo de uma comissão da qual você fazia parte. E não é que, na hora de decidirem a meu respeito, o pároco que tinha o pedido decidiu vincular o aceite a uma conversa pessoal comigo (eu tinha 19 anos). Era a primeira vez que isso ocorria e você considerou a condição inaceitável.; eu também. E nunca estive em um Cursilho. Mas sou-lhe grato ainda hoje.

Pela deferência da carta e pela gentileza de sempre.

Chico

FLAGRANTE DO SÉCULO XX 

A PRIMEIRA PONTE – A foto é de agosto de 1979, prestes a completar 40 anos. Nela, integrantes da Polícia Militar, dentre os quais o coronel Othon Silva, então comandante do 17º BPM, estão ao lado de Sylvio Pires, que integrava o primeiro escalão da Prefeitura de Mogi. O flagrante é sobre uma frágil ponte de toras de madeira, a primeira colocada nas obras da estrada Mogi-Bertioga.

GENTE DE MOGI

PIONEIRO – Ele foi um dos 50 primeiros a se graduar na área, inscrever-se no Conselho Regional de São Paulo e exercer a psicologia clínica. Atuou sempre em Mogi das Cruzes, enfrentando o descrédito de muitos que não olhavam com bons olhos para uma especialidade médica que não usa bisturis. O psicólogo Francisco José de Carvalho morreu em janeiro de 2002.

O melhor de Mogi

A recuperação da casa sede da Fazenda Avignon, hoje de posse da Cúria Diocesana de Mogi, na Avenida Francisco Rodrigues Filho. Exemplar da arquitetura de fins do século XVIII, início do XIX, ela mantem suas características originais. É um patrimônio da Cidade que a Diocese cuida de preservar.

O pior de Mogi

Eles podem tudo no Brasil, há muito tempo. E seus prestadores de serviço vão na mesma onda: quem poderia impedir que carros fortes estacionassem sobre calçadas, à frente de agências bancárias? A lei não vale para empresas como Prosegur, Brink’s, Protege e congêneres?

Ser mogiano é….

Ser mogiano é… ter comprado de caderneta em mercearia. Antes do advento dos supermercados, em meados da década de 1960 (o primeiro de Mogi foi o Sakoda, na Rua Braz Cubas), ia-se ao armazém da esquina e levava-se para casa o necessário. Quando o salário saía, pagava-se a conta, garantida apenas pelo fio de bigode.

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