A banda tocou. E agora?

Grupo tenta reagir ao fim da Santa Cecília, a banda mais antiga da Cidade
Um grupo formado por 15 músicos, ex-presidentes de diferentes gestões, e o vereador Iduigues Ferreira Martins (PT) começa a se articular para a retomada do comando da Corporação Musical Santa Cecília, e reage, de maneira corajosa, ao fim das apresentações motivadas pelo endividamento e problemas administrativos causados pelos detentores do comando da entidade.
A banda voltou a tocar no sábado último, após silenciar durante dois anos. Os músicos afirmaram que novas ações serão realizadas para a recomposição do grupo e buscam um diálogo, amigável, com o presidente da Santa Cecília, o maestro Manassés Maximiano, antes do final do mandato dele, a vencer em outubro próximo. O presidente está completamente isolado e tem sido apontado como o responsável pela crise que levou à suspensão dos recursos municipais que sustentavam o projeto.
Há um cenário problemático, mesquinho, egoísta até, por detrás dos desarranjos envolvendo a suspensão das atividades da banda que está completando 90 anos neste 2016. E há uma esperança de que essa reação, com muitos jovens músicos, consiga relevar o que a Santa Cecília semeou de melhor: a música e a paixão que ela desperta nos seus integrantes e no público, que ainda para pra ver a banda tocar.
Ainda não há respostas sobre o que acontecerá após a união desse grupo. Os problemas a serem debelados começam com a busca de um entendimento e da resolução de problemas como a dívida estimada em cerca de R$ 100 mil em taxas como água e luz e um financiamento bancário, arcado por um dos músicos da entidade. A banda chegou praticamente ao fundo do poço, como disse um dos presentes à singela, mas significativa apresentação de sábado último, em frente à sede antiga, no Largo do Carmo.
Esse é um momento decisivo para o futuro da banda e atende ao que este jornal tem cobrado com insistência nesses dois últimos anos: a defesa firme desse patrimônio, um registro cultural diferenciado, que está desfazendo. É lamentável ver uma parte de nossa história nas mãos de quem não entende o que ela representa para a vida cultural da Cidade.
Por outro lado, tudo isso serve de exemplo sobre o que ocorre quando um bem da comunidade não recebe a atenção devida do poder público e da sociedade organizada. Quem toca e quem administra a banda precisa de apoio e de recursos financeiros, mas também de condições para o gerenciamento e fiscalização eficaz. A banda tocou, e o que acontecerá agora? Eis a grande dúvida.