EDITORIAL

A crise é maior

Há um preocupante distanciamento entre as pessoas e as empresas e as entidades sociais

Os duros reflexos da crise econômica nas finanças da rede assistência ao idoso, criança e adolescente, e a grupos vulneráveis, como o morador de rua, mulheres vítimas de violência e outros, fazem parte de um contexto ainda mais grave. As pessoas estão cada vez mais afastadas de obras sociais, responsáveis por preencher um vazio institucional e por tornar a cidade mais humana.

O polo estruturado por fundadores, voluntários e trabalhadores de casas de acolhimento, como o Instituto Pró+Vida, sente as dificuldades criadas pela drástica redução de doações e o congelamento dos valores repassados por meio de subsídios pelo poder público.

Esses lares temporários ou definitivos para muitas pessoas atende uma parte da população formada, em sua maioria, por cidadãos que vivem na faixa da extrema pobreza, mas também por vítimas do abandono ou dramas pessoais.

Nesse atendimento, específico aos idosos, há um fenômeno observado há alguns anos com tendência de se acentuar. A redução do número de membros das famílias está criando, também no Brasil, assim como em alguns países pelo mundo, o envelhecimento solitário de indivíduos sem vínculos familiares. Ou seja, a atual rede institucional ou outro modelo de acolhimento a essa demanda será cada vez mais necessária para oferecer teto, comida e saúde a uma parte a quem, na velhice, deveria ser bem cuidado pela sociedade. Já há falta de leitos para idosos hoje em Mogi e na região.

Com a crise, as entidades (e, aqui, são todas elas) reforçam as campanhas para arrecadar alimentos e diluir as despesas com itens caros e de uso intermitente, como as fraldas geriátricas.

O que se observou na reportagem deste jornal no domingo último é sintoma de algo que pode se tornar ainda mais sério. Com ou sem crise. Há um preocupante distanciamento da sociedade da atuação social e filantrópica, provocada inclusive pelas dificuldades impostas pela modernização das leis que inviabilizaram os modelos antigos de asilos e creches tocados por grupos religiosos. Mogi mesmo perdeu casas tradicionais por esse motivo.

A melhoria da rede de atenção ao idoso é uma das bandeiras dos Conselhos Municipais de Idosos.

Como reverter esse quadro? O alto custo e a especificidade da assistência aos pacientes mais velhos são um duro obstáculo para a abertura e manutenção de casas especializadas. Há de se atender ao pedido de ajuda das entidades. Mas, também ir mais fundo na busca de soluções para o que é apenas a ponta de um iceberg na rede de atenção social das cidades.

O Diário

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