EDITORIAL

A dependência entre as cidades

A co-dependência das cidades de uma mesma região tornou-se ainda mais evidente na pandemia. No Alto Tietê, esse sentido serviu para estabelecer certa ordem no enfrentamento da Covid-19, com a construção de hospitais de campanha e a concentração do atendimento nos equipamentos de saúde maiores. E quando tudo isso passar? Haverá um legado sustentável na saúde, ao menos?

A cada coincidência de uma alta pressão por vagas de maternidade e UTI Neonatal, a dependência entre os municípios deixa claro – e, isso, há muito tempo – quanto o poder público municipal deserda o cidadão até mesmo na hora do nascimento.

Publicada no último sábado por este jornal, a pesquisa do Instituto Votorantim que mostra o Índice de Vulnerabilidade Municipal (IVM) diante da Covid-19 é uma ferramenta a mais sobre a pandemia porque atualiza os dados das cidades brasileiras. E nos dá um retrato ainda mais sobre como os municípios estão de um mesmo guarda-chuva quando se fala sobre a oferta dos serviços públicos.

Composto por indicadores como os ligados à economia, o IVM mostra que as cidades mais ricas e as mais pobres navegam no mesmo barco quando se fala sobre a vulnerabilidade da população às doenças.

Todos os municípios apresentam baixa pontuação quando são reunidos os dados sobre a população mais indefesa – idosos, doentes, pobres e negros.

A busca de um planejamento regional já acontece no Alto Tietê. E, ainda que a região conte com um consórcio regional das prefeituras, o Condemat – que se torna mais coeso e forte, de acordo com o comando da vez -, as lideranças políticas regionais poderiam fazer muito mais.

Claro que os municípios têm autonomia própria, mas a gestão regionalizada elevaria, inclusive, o poderio político de um território com um respeitável cacife eleitoral e quase 1,8 milhão de moradores.

Agora mesmo, o Alto Tietê pode dar um respeitável salto de qualidade dos serviços de saúde, após o término da pandemia.

Na semana passada, à TV Diário, o secretário estadual de Desenvolvimento Regional do Estado, Marco Vinholi, afirmou que ainda haverá uma discussão no Governo sobre quantos dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva serão mantidos quando após a crise sanitária. Essa questão ganhará corpo em breve. Perder essas vagas será um retrocesso tremendo para o currículo dos políticos locais.


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