EDITORIAL

A despedida de Rabicho

Dizia-se, de antanho, que “Mogi é uma péssima mãe e uma ótima madrasta”. Nenhuma censura, nenhuma crítica, apenas uma característica, que sucessivos acontecimentos corroboram.

O mais recente deles é a notícia que nos dá nosso repórter Heitor Herruso, acerca da despedida do animador cultural José Luiz da Silva, o Rabicho, que deixa Mogi, sua terra natal, para ir atuar no Rio de Janeiro.

Rabicho é um inquieto, daqueles que não sossegam enquanto não constroem, criam, atiçam. Já teve várias incursões, a mais recente, por aqui, foi o Casarão da Mariquinha, no Largo do Bom Jesus. Do nada, incluindo ausência absoluta de financiamento, ele construiu um local de eventos, happening. E trouxe para Mogi prêmios importantes, como o “Território Cultural do Estado”, conferido pela Secretaria de Cultura de São Paulo.

É de se lamentar a facilidade com que Mogi renuncia aos seus valores, costumeiramente. Um dos exemplos mais gritantes é o de José Sebastião Witter (1933-2014), professor emérito da Universidade de São Paulo, autor, entre outros, dos projetos bem-sucedidos de renovação do Museu do Ipiranga, do Arquivo do Estado e do Instituto de Estudos Brasileiros da USP. Pois Witter, aposentado, refugiou-se em Mogi e, por aqui, repetia a quem quisesse ouvir a sua revolta pelo ostracismo que a cidade lhe impunha.

Rabicho vai-se para plagas cariocas, após a despedida de ontem à noite, no Bistrô Itapeti, com seu último “Samba no Quintal”. Segue, triste, buscar seu futuro. Atrás dele ficam, chorosos, os que perguntam que fim levaram tantos valores mogianas, ignorados pelos que têm o poder de alavancar propostas; que fim levaram tantos de nossos patrimônios imateriais, como a Banda Santa Cecília.

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