EDITORIAL

A educação e o futuro

Está na educação um dos cenários mais sensíveis durante e após a crise sanitária da Covid-19. Estima-se que 1,5 bilhão de alunos do ensino infantil, fundamental e médios de 160 países tiveram o processo de aprendizagem interrompido (Fonte: Banco Mundial). Será uma geração inteira impactada pela suspensão as aulas durante boa parte dos 200 dias letivos, no caso brasileiro, e pela maneira como a sociedade mundial vai cuidar dos efeitos da pandemia na formação humana.

Há divergências, entre os especialistas, sobre o retorno às aulas antes da descoberta de uma vacina, os modelos de avaliação e de reprovação dos alunos, o cancelamento do ano letivo…

Em um ponto, há consenso: o agravamento da desigualdade social entre os alunos mais vulneráveis, que são a maior parte, no Brasil, de uma população estimada em 47,9 milhões de crianças e jovens .

O estudante da rede particular também sentirá, mas foi melhor sustentado durante a quarentena, pela oferta do ensino online e a facilidade de conectividade à internet. E, olha, mesmo entre as classes mais altas, a cobertura da comunicação móvel foi um problema.

O país que permaneceu sem ministro da Educação justo nesse momento. No entanto, o desmonte na educação fere os direitos constitucionais há tempos – quatro em cada dez jovens brasileiros estavam fora da escola em 2018, e um a cada cinco estudantes era reprovado.

Essas diferenças e dores são ainda mais sentidas pelo professor, na sala de aula, o diretor da escola, a merendeira, o pai e a mãe de uma criança brasileira. Mas nesse núcleo rígido da comunidade escolar está a força máxima da resistência, da inovação e de esperança.

Esse sentido foi demonstrado por uma escola pública, a Emei Professora Therezinha Soares, da Vila Brasileira, em Braz Cubas, nesta semana. A professora Raelen Gonçalves, com um trabalho desenvolvido com 25 crianças, sagrou-se campeã nacional do Prêmio Professor Transformador, na categoria infantil.

Juntos, eles criaram o projeto “Extra, extra, extra: tá na hora de brincar” para aplicar a essência do saber: o ensino das histórias e vivências da aprendizagem por meio de uma experiência lúdica, alegre, envolvente, proporcionada pela narrativa de um jornal.

Esse prêmio nos dá a chance de reconhecer tudo o que fazem os professores que acreditam na educação como única chance para a transformação do mundo. Parabéns, professora Raelen!


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