ARTIGO

A era da TV continua

Rafael Sampaio
Em 2013 a entidade que representa os interesses comerciais da TV no Reino Unido, a ThinkBox, fez um estudo pioneiro sobre como as pessoas consomem a TV, avaliando não apenas hábitos e comportamentos, mas as razões e o espírito (mood) com que elas assistem à variedade de programação da TV em seus diversos formatos: broadcast, a cabo, por satélite, em streaming e outros.

O estudo “Need states” (estados de necessidade) demonstrou que eram seis as razões/modos pelas quais as pessoas assistem TV – unwid (descontrair), distract (distrair), comfort (confortar), escape (escapar), indulge (saciar) e experience (experimentar) – e que os níveis desse consumo continuavam próximos ao padrão histórico, com a “live TV” tradicional dominando amplamente.

De lá para cá a evolução da tecnologia, a ampliação do espectro de canais, a explosão dos smartphones e das opções do streaming levaram muitos a se perguntarem se as bases desse padrão permaneciam semelhantes ou haviam se alterado muito.

Um novo estudo nos mesmos moldes foi encomendado para a MTM e foi divulgado no final do ano passado (suas principais conclusões estão em https://www.thinkbox.tv).

Os resultados comprovam que a era da TV continua em pleno vigor e ainda está mais forte do que antes, pois a expansão de formatos e da sua programação têm aumentado a atratividade e a utilidade da televisão, com a opção tradicional da TV aberta mantendo sua inconteste liderança.

Além de reclassificar a ordem das razões/modo de consumo da TV seguindo os critérios anteriores, foram incluídos – em função das observações feitas – duas novas: o intouch (conectar) e o do (fazer).

O aumento do consumo por streaming, seja nos smartphones, seja nos aparelhos “tradicionais”, através do VOD (video on demand), estão ampliando e fortalecendo a TV entre os meios de comunicação que combinam informação, entretenimento, educação e utilização para se fazer alguma coisa.

Mesmo sendo um estudo realizado sobre a realidade de um mercado mais maduro e sofisticado que o nosso, a lógica das descobertas é válida para a nossa situação, na qual a predominância do formato TV aberta é muito maior, mas as outras alternativas já estão presentes.

Rafael Sampaio é consultor em Propaganda e Marketing