À espera dos leitos

Por detrás da pressão pela abertura de mais leitos específicos para o tratamento dos pacientes com a Covid-19 em Mogi das Cruzes, não passa sem cobrança e registro, a desocupação de leitos preparados para o atendimento a dependentes químicos no Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, no distrito de Jundiapeba.

Esse tratamento foi reivindicado durante anos por Mogi das Cruzes para aliviar a espera pela atenção especializada à dependência química, que obriga, em situações gravíssimas, familiares de pacientes pagarem por serviços particulares ou buscarem a rede pública de cidades distantes.

Nesta semana, o governador João Doria anunciou a abertura de 60 vagas para o enfrentamento da doença provocada pelo novo coronavírus no Dr. Arnaldo.

Decisão acertada. Ali tem espaço, estrutura e boa equipe médica e técnica. Porém, a descontinuidade na atenção à dependência química não foi bem explicada. Recursos foram carreados para a instalação dessas vagas. Se houve um redirecionamento essa política específica, qual o motivo de esses leitos não terem sido já ocupados para outros fins?

É sempre duro lembrar que hospitais públicos têm filas de espera por cirurgias não eletivas, que acabam influenciando as taxas de mortalidade de pessoas que não são tratadas a tempo pela falta de acesso a procedimentos não urgentes e se tornam, por isso, presas fáceis das doenças oportunistas.

A situação é dramática nos corredores de endereços como o Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo. Quem não teve um parente ou conhecido que ficou internado ali durante dias, em zonas amarela, verde, etc. até a liberação de espaço no centro cirúrgico?

Durante a pandemia, a negligência e incúria do estado vêm a público. Desde os anos 1990, os governos tucanos caminham para validar a transformação do Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, antes destinado apenas ao tratamento da hanseníase, em um hospital geral.

Após as cobranças do vereador Otto Resende, o governador anuncia a utilização dos leitos. Como a estrutura já existe, é provável mesmo que isso ocorra. Mas, será importante não baixar a guarda.

Desde sempre, os prefeitos do Alto Tietê cobram a ampliação de vagas hospitalares. No Luzia, por exemplo, isso foi prometido, mas ainda não ocorreu. E o mais desesperador, a curva de casos graves de Covid só aumenta.


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