ARTIGO

A guerra civil

Perseu Gentil Negrão

Aqui vai um aviso de um “velho” representante do Ministério Público e professor de direito: Não se deixe enganar por aqueles que só querem o poder.

Tempos atrás, em um restaurante (ai que saudades de ir a um restaurante), encontrei um árabe e um judeu almoçando juntos. Depois lembrei que ambos são grandes amigos. Dias depois, fui a um restaurante de uma família libanesa e vi um judeu jantando no local. Semana passada, no “Facebook”, em uma publicação de um amigo de “direita”, li um comentário, respeitoso, de um conhecido “esquerdista”.

Fiquei feliz em constatar que é possível o convívio entre pessoas de crenças e ideologias diferentes. Lamentavelmente, esta não é a regra. Há uma grande intolerância em nossa sociedade. O Brasil está à beira de uma guerra civil, não bastasse a maldita pandemia do vírus chinês.

De um lado, os apoiadores do presidente da República (defendendo o indefensável). De outro, a famigerada esquerda, aproveitando-se do caos (causado pela pandemia e pelo atabalhoado presidente). Tenho visto nas redes sociais fanáticos de esquerda comemorando cada morte pelo Covid19, como se fosse um gol. Um deles faz questão de postar o número de mortos todos os dias. A imprensa “urubu” só fala em vírus, doença e morte.

No dia 31/05/2020 cenas lamentáveis entre “bolsonaristas”, pedindo a implantação de uma ditadura militar; e um grupelho dizendo-se defensor da democracia, mas utilizando de violência. Aliás, manifestantes liderados por torcidas organizadas de futebol, arvorando-se em defensores da democracia é um contrassenso. E mais, comunista defender democracia, também é contrassenso. A tal da “defesa da democracia” é balela. O que se quer é o poder a qualquer custo.

O cidadão de bem foi transformado em simples massa de manobra. Bom seria se as pessoas se comportassem como os árabes e judeus; ou o “direitista” e o “esquerdista”, que mencionei, demonstrando que é possível o convívio entre os desiguais. Citando o grande Rui Barbosa: “Eu não troco a justiça pela soberba. Eu não deixo o direito pela força. Eu não esqueço a fraternidade pela tolerância. Eu não substituo a fé pela superstição, a realidade pelo ídolo”.

Perseu Gentil Negrão é procurador de Justiça do Ministério Público de São Paulo


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