ARTIGO

A igreja como agente social

Lucas Meloni

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De tempos para cá, tenho refletido a respeito do papel da Igreja (seja a católica ou a evangélica, sem importar a placa denominacional) na área social. A função dela não é apenas adorar a Deus, mas é para servir a quem precisa, ser um braço de apoio ao próximo.

Certa vez, quando ainda era repórter deste Diário, entrevistei o bispo diocesano dom Pedro Luiz Stringhini, que me disse uma coisa que lembro sempre quando penso em atuação social da Igreja: “É importante aprender a conviver, a gastar tempo com o diálogo, a conhecer e a ouvir as pessoas”. É isso mesmo. Ao que parece, não estamos ouvindo os outros.

Igreja como um corpo importante na busca por melhorias sociais. Em resumo, a ideia é a seguinte: não adianta a gente falar às pessoas apenas da salvação de Cristo e ignorar o fato de que tantas e tantas famílias moram em áreas de extrema vulnerabilidade social, com esgoto a céu aberto e sem saúde pública de qualidade.

Em Atos dos Apóstolos, capítulo 2, a partir do versículo 42, há uma formatação do que deveria ser a Igreja. Ela é a junção de pessoas, não o templo ou a construção. É o corpo que se preocupa com a divisão do alimento aos mais pobres, que busca ajudar na solução dos problemas da comunidade. Desculpem-me os teólogos de plantão, mas para mim, a Igreja perfeita era a de Atos, ainda que aquelas pessoas nem soubessem conceituar igreja.

Em “Teologia da Trincheira”, o pastor presbiteriano Antônio Carlos Costa, presidente da ONG Rio de Paz, explica um pouco o dilema de se trabalhar o social em um país tão dividido. “Minha adesão à fé reformada me impedia de fechar com as leituras da realidade feitas pela esquerda e pela direita, pois, ao meu ver, nenhuma delas interpretava corretamente o mundo – muito menos oferecia soluções exequíveis”. Na realidade brasileira, não há tempo para Fla x Flu. A atenção social deve estar acima das disputas partidárias.

Aqueles que são a Igreja têm um compromisso com a casa (mundo), criada para nossa habitação. Há coisas que ultrapassam a questão da fé (que merece e deve ser respeitada, seja a cristã ou não). Trabalhar para que as pessoas tenham oportunidades e condições dignas de vida são algumas delas. Respeitar e saber entender as dificuldades dos outros são os primeiros passos em direção à mudança.

Lucas Meloni é jornalista