MARCELLO CUSATIS, O TÉO

A importância da prevenção médica

Marcello Cusatis é ex-secretario de saúde de Mogi das Cruzes. (Foto: Eisner Soares)
Marcello Cusatis é ex-secretario de saúde de Mogi das Cruzes. (Foto: Henrique Campos)

Formado em Biomedicina pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e especializado em Administração Hospitalar e de Sistemas de Saúde, o mogiano Marcello Delascio Cusatis, mais conhecido como Téo, acaba de deixar o cargo de secretário municipal de Saúde, que ocupou ao longo dos últimos cinco anos. Antes disso, em 2009, ele era secretário-adjunto na mesma Pasta, e acumulou experiência na área de diagnósticos e gestão. Agora, aos 41 anos, se prepara para retomar atividades na iniciativa privada e comenta os hábitos de saúde dos moradores da Cidade, principalmente no que diz respeito à prevenção.

Qual é a importância do diagnóstico médico para a população de modo geral?
Exemplifico minha resposta com uma campanha que Mogi abraçou, o ‘Outubro Rosa’. A partir dessa ação, a Cidade aprendeu que o diagnóstico do câncer de mama, se feito precocemente, salva vidas, o que vale para várias outras doenças. Nesta época, Mogi se programa para fazer dois mil exames de mamografia, além dos mil que já são realizados regularmente. Entre 5% e 10% dos resultados costumam dar alterados, o que não necessariamente significa algo ruim. Mas veja a importância das pessoas respeitarem o diagnóstico: duas mil mulheres fazem o exame pela campanha. Logo, duas mil consultas a mais teriam que ser preparadas, só que não é o que costuma acontecer na maioria das cidades. Em Mogi, no ato da realização do exame, nós já avisamos que as pacientes têm que retirar o resultado, porém se houver alguma alteração, a Secretaria de Saúde entra em contato com elas. Assim, a partir da análise de resultados, as consultas ficam disponíveis somente para quem realmente precisa, eliminando a ansiedade de quem não sabe o que é a alteração. Antecipamos a consulta e a partir daí entra o mastologista, com ultrassom e biópsia de mama. Ou seja, como a campanha não é somente publicitária, e sim de conscientização com resultados, conseguimos identificar quem realmente precisa ser atendido com prioridade.

A automedicação é um problema em Mogi?
Na verdade, a automedicação é um problema cultural em todo o Brasil, o que não deve ser resolvido tão rápido. Nós, brasileiros, temos o hábito de utilizar muito o pronto-socorro, quando deveríamos cuidar da saúde em consultas agendadas, seja nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou no consultório particular. A maioria das consultas em pronto-socorro é de casos de gripe e pressão alta descontrolada, reflexo de um movimento imediatista, de quem não costuma continuar o tratamento. Aliás, os medicamentos prescritos nesses casos são específicos para o momento, e não devem ter o uso prolongado. Um total de 25% dos exames de laboratório que colhemos nas UBS não tem os resultados retirados pelos pacientes, o que é um desrespeito para a própria saúde. É tanto comodismo que há no País hospitais fazendo pré-agendamentos de pronto-socorro, que é o lugar errado para se tratar doenças.

E as pessoas têm tomado vacinas?
O Brasil passou por momentos de muita atenção às vacinas, mas agora, doenças como o sarampo, que estavam erradicadas, estão voltando em decorrência da perda de hábitos preventivos. Vivemos um momento de excesso de informações: o acesso a dados é muito fácil, e como muitos são falsos, ajudaram a mistificar o tema, diminuindo a taxa de pessoas vacinadas. É um enorme retrocesso, e nem sei quantos passos para trás isso representa. Na época dos muitos casos de febre amarela, tinha gente pulando parede de UBS e quase brigando para tomar uma dose da vacina. Agora, ninguém procura mais. Temos cerca de 100 mil pessoas que ainda precisam se prevenir. E o mais importante em relação à imunização são as crianças, que devem respeitar o calendário nacional de vacinação, mas não o fazem. Um exemplo é o vírus HPV, que deve ser prevenido antes do início da vida sexual, principalmente em mulheres, mas que tem baixa adesão. O câncer de colo do útero, principalmente causado por esse vírus, é o terceiro que mais acomete o público feminino no Brasil, e é totalmente evitável.

Parte destes conhecimentos vem dos quase 10 anos de atuação na Secretaria Municipal de Saúde, primeiramente como secretário-adjunto e depois como responsável pela Pasta. Quais foram os principais desafios dessa época?
Em pastas constitucionais, como a Saúde e a Educação, prefeito e secretário assinam praticamente responsabilidades iguais. E isso não vale só para Mogi, já que as questões são parecidas em todas as cidades. Na Capital, os problemas são grandes e difíceis de consertar, e aqui também temos situações “de gente grande”. Um dos maiores desafios que enfrentei foi o fechamento da Maternidade da Santa Casa, em 2010, quando ainda atuava como adjunto, e depois a construção do Hospital Municipal, na época em que a Cidade ia na contramão do que acontecia no Brasil e erguia um equipamento grande. De modo geral, a Saúde vem sofrendo com uma sobrecarga, porque muitas responsabilidades que seriam do Estado acabam ficando para os municípios, tanto que a média das prefeituras do Estado é de 27% do orçamento destinado para este setor, quando o número deveria ser somente 15%. Mas, de modo geral, tenho boas expectativas para a gestão de meu amigo Chico Bezerra.

E agora que o senhor deixou a gestão pública, o que vai fazer?
Vou me dedicar à iniciativa privada. Há dois anos coordeno a Santorius, empresa de medicina cirúrgica e diagnóstica, que terceiriza serviços de médicos cirurgiões para hospitais particulares e planos de saúde. Também tenho, desde 2004, outra empresa, de gestão e saúde, oferecendo uma espécie de consultoria executiva, e agora estou na fase final de formatação de uma plataforma de saúde que disponibilizará um conjunto de soluções de gestão em planos de saúde de empresas privadas, funcionando como um canal mediador entre o plano e o contratado. A previsão de lançamento é para daqui 30 dias.

Curto-Circuito
Viver em Mogi é… estar no melhor lugar para cuidar da família

O melhor da Cidade é… sentir o cuidado e orgulho que os mogianos têm com a cidade

E o pior? Não ter praia

Sinto saudade… da minha juventude e de familiares que já se foram

Encontro paz de espírito… no mar

Pra ver e ser visto… praia de Mullet Bay, em Saint Maarten

Meu prato preferido é… arroz, feijão preto, farofa e frango frito

Livro de cabeceira… Atualmente lendo ‘Médico Jesus’, de José Carlos de Lucca

Peça campeã de uso do meu guarda-roupa? Camisa branca

O que não tem preço? Saúde e paz

Uma boa pedida é… Viagem em família

É proibido… mal humor

A melhor festa é… o churrasco em casa, com amigos

Convite irrecusável… desenvolver novos projetos em saúde

O que tem 1001 utilidades? Meu celular

Meu sonho de consumo é… montar um sistema informatizado de saúde que identifique pacientes mais graves

Qual foi o melhor espetáculo da minha vida? Nascimento da minha filha

Cartão-postal da Cidade… Parque Centenário

O que falta na Cidade? Uma nova maternidade

Qual é a química da vida? Estar com a família e a vontade de melhorar a vida das pessoas

Deus me livre de… ingratidão e falsidade