CHICO ORNELLAS

A inflação da abobrinha

Está enraizado no ente político, independentemente de sua cor ideológica e de seu apego democrático: a busca da popularidade une gente tão distante quanto o hoje vereador Eduardo Suplicy e o ontem ditador João Figueiredo.

Suplicy faz o que pode – e às vezes o que não deve – para divulgar o seu projeto de Renda Básica da Cidadania. João Figueiredo (1918-1999), o general que governou o Brasil entre 1979 e 1985, ouviu quem não devia e veio fazer encenação em Mogi das Cruzes, na tarde de 10 de agosto de 1979. No que ficou conhecido como “a inflação da abobrinha”.

O regime militar vivia seus estertores, o milagre econômico, com índices de crescimento acima de 10% ao ano, tinha ficado para trás. O momento era de crise, de desemprego, de alta do petróleo, de moratória na dívida externa e de inflação alta. Pois Figueiredo apareceu por aqui, com seu entourage, disposto a encontrar um bode expiatório para a inflação. Queria, porque queria, personificar o especulador, o atravessador dos produtos hortifrutigranjeiros – a tal abobrinha – como o responsável pela inflação que subia.

Gastos públicos, máquina inchada, balança comercial em desproporção, baixa produtividade industrial, infraestrutura cadente… nada disso entrou no discurso de João Figueiredo. O que ele queria era encontrar o atravessador. Aquele, que o convenceram, seria o responsável pela inflação em 1979 (o ano acabou com uma taxa de 77,25%)

Figueiredo chegou na hora do almoço. Avisado apenas algumas horas antes, o prefeito de então, Waldemar Costa Filho pediu ao leal Minor Harada que providenciasse reserva em um restaurante local; a recomendação recebida era por uma churrascaria. A escolhida ficava na Avenida Pinheiro Franco, quarteirão entre Tenente Manoel Alves e Isabel de Bragança. Anos depois ali funcionaria o primeiro Restaurante Bom Prato da Cidade.

Com ele vieram os ministros Delfim Netto, da Agricultura e Said Farhat, da Comunicação Social; também o secretário particular Heitor de Aquino e o governador Paulo Maluf.

Encerrado o almoço, rumaram para o bairro do Cocuera e ingressaram no sitio do agricultor Katsushi Yasuhara. Ali foi o samba do crioulo doido; diálogos surrealistas. Figueiredo queria porque queria que Katsushi culpasse o atravessador pelo preço da abobrinha.

O sítio, arrendado havia 10 anos, garantia a subsistência da família, na época em dificuldades por causa da última geada que lhe levou a colheita. Do resultado das vendas, abatia 17% de comissão para a Cooperativa e reservava outra parte para o Funrural e frete. No final, sobravam, líquidos, 40% da venda bruta. “E o atravessador?”, perguntou o presidente.

Vendo o parceiro em dificuldade, Paulo Maluf interveio e comentou com Katsushi que seria melhor ele usar motores elétricos ao invés das máquinas diesel na irrigação. “Sai mais caro e não temos dinheiro para a instalação”, respondeu o agricultor.

E o atravessador não apareceu…

CARTA A UM AMIGO
Responde o secretário

Em longo e-mail enviado há dias, o secretário Clodoaldo de Moraes respondeu à crítica formulada em editorial (10.6) e nesta página (17.6), em que indagávamos quais as medidas que a Secretaria de Desenvolvimento da Prefeitura vinha tomando para quando a economia do País retomar o rumo.

Na peça produzida pela Coordenadoria de Comunicação da Prefeitura, ele comemora a previsão de 300 novos empregos na Cidade, o anúncio de que o Grupo Horii vai instalar uma pista de pouso em Jundiapeba, “gerando centenas de empregos durante a construção” e enumera as estatísticas da economia local (Mogi tem “1.052 empresas, 18.514 no setor de serviços e 9.016 comércios”).

Estamos investindo em novos segmentos econômicos, como a tecnologia, com o Polo Digital e o turismo, que devem gerar novas oportunidades para a Cidade”, informa ele. E aborda o Polo Digital: “Com os eventos abertos que realizamos como o Demo Day e o Showcase, as startups podem mostrar seus projetos a empresários e investidores. O próximo Demo Day será realizado dia 28/06”.

Também fala do Sistema Municipal de Inovação, – “instituído em forma de Lei Municipal, contempla o recém empossado Conselho Municipal da Inovação para articular ações entre todos os elos do ecossistema inovador de Mogi, e a criação do Fundo Municipal de Inovação. E a criação do Fundo Municipal de Inovação, que possibilita que empresas e Poder Público possam direcionar recursos para serem aplicados em projetos inovadores”.

FLAGRANTES DO SÉCULO XX
FEIRA-LIVRE – Entre o final da década de 1950 e início de 1960, a feira-livre de Mogi foi feita na Rua Coronel Souza Franco, altura da Rua Dr. Correa. Nesse período, o Largo 1º de Setembro (atual Chico Nogueira), abrigou precariamente os comerciantes do Mercado Municipal, removidos para a construção do atual prédio.

1967
O governador Roberto Costa de abreu Sodré recebe, no Palácio dos Bandeirantes, o bispo dom Paulo Rolim Loureiro, o prefeito Carlos Alberto Lopes e o vereador Plácido Campolino.

GENTE DE MOGI
CONVICTO – Ele não abria mão de suas convicções; e só aceitava debater com alguém que possuísse ferramentas intelectuais. Sabia que, não as tendo, seria perda de tempo. Emílio Milton Giusti, o Sequilho como o tratavam amigos de infância, teve carreira curta no magistério local. Com o advento do golpe de 1964, que pregava um ideário oposto ao seu, pegou suas tralhas e foi-se para a França. Obteve doutorado em linguística pela Universidade Paris III/Sourbonne Mouyele e pós-doutorado pela Universidade Lumiere Lyon II, onde criou o Instituto de Estudos Luso-brasileiro. Vinha regularmente ao Brasil, em férias ou para programas na Universidade de São Paulo. Foi em uma dessas vezes que, sentindo-se mal, correu para o Aeroporto de Guarulhos, aguardou a chegada de médico e enfermeiro destacados por seu plano de saúde francês e partiu para sua última viagem

O melhor de Mogi

Lembrança dos bons momentos. É significativo o carinho com que boa parte dos moradores da Cidade se delicia, com a lembrança dos bons momentos que Mogi das Cruzes viveu. Ou que eles próprios viveram por aqui. Melhor ainda que este costume tem passado de geração para geração, contaminando os mais jovens.

O pior de Mogi

Uma academia de ginástica da Avenida Capitão Manoel Rudge, que insiste em compartilhar com vizinhos o som, de péssima qualidade, que aciona, em alto nível, para cadenciar seus poucos alunos.

Ser mogiano é….

Ser mogiano é… perguntar-se o que há, afinal, com o restauro do casarão da Rua Coronel Souza Franco, 917. A última previsão era que tudo ficaria pronto em abril; estamos em junho. E a Síndrome de Avestruz volta a atacar os responsáveis.