EDITORIAL

A limpeza do rio Jundiaí

Com atraso considerável, o Departamento de Águas e Energia Elétrica, o DAEE, lança a concorrência pública para o desassoreamento de três quilômetros do Rio Jundiaí, entre Braz Cubas e Jundiapeba.

O pacote de R$ 20 milhões para serviços foi anunciado pelo Governo do Estado no início deste ano e respondia à pressão política e popular. O plano divulgado também previa atender o Rio Tietê, no trecho de Mogi das Cruzes, entre o final deste ano e 2021, como esclarece uma consulta às reportagens sobre o tema.

Desde o ano passado, os moradores das cidades do Alto Tietê acompanham as promessas do governo do Estado sobre a retirada dos sedimentos no leito desta bacia hidrográfica. Essa intervenção reduz as enchentes – uma das últimas provocada pelo extravasamento das águas das represas do Sistema Alto Tietê prejudicou milhares de mogianos – e protege a fauna e flora do rio símbolo de São Paulo.

No mesmo colchete do Rio Jundiaí, esperam pela limpeza os cursos d’água poluídos em Suzano (Jaguari e Guaió) e Poá (Itaim).

A demora no lançamento da licitação não pode ser creditada à pandemia. Os recursos financeiros já estavam disponíveis no orçamento estadual. Aliás, cuidados com o Tietê fizeram parte da plataforma eleitoral do governador João Doria.

Pelo andar da carruagem, se o preparo da concorrência levou mais de um semestre, imagine quanto tempo será preciso aguardar para o trecho mogiano do Tietê ser contemplado novamente com a limpeza. A última intervenção, na cidade, aconteceu em 2016.

Em janeiro deste ano, uma reunião entre os prefeitos do Condemat (Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê) e o secretário de Meio Ambiente, Marcos Penido, foi apresentado um documento sobre os 74 pontos de rios e córregos extremamente sujos e maltratados.

Seis meses depois, a volta do assunto ao noticiário é bem-vinda. Mas isso não aplaca e nem pode tirar o foco da grande tensão criada pelas falhas e o abandono desse sensível ecossistema – com o aval complacente dos governos, em suas três esferas.

O poder público tem obrigação constitucional de preservar os recursos hídricos e livrá-los da poluição e do esgoto residencial e urbano. Ainda longe de se chegar à despoluição plena do Tietê, o desassoreamento é tratamento paliativo diante do que falta fazer para salvar o rio paulista na região próxima de suas primeiras nascentes.


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