EDITORIAL

A luta continua

Ainda não há o que se comemorar.

A audiência de representantes da região de Mogi das Cruzes com diretores da Artesp e o secretário–executivo da Secretaria dos Transportes (onde estava o titular?), na última quinta-feira, em São Paulo, não conseguiu ir além das promessas.

Em resposta aos apelos de cerca de 50 mil signatários de um documento entregue pelo Movimento Pedágio, Não! e pelo deputado federal Marco Bertaiolli, os representantes do Governo do Estado se limitaram a prometer uma visita à Mogi-Dutra para comprovar a tese exposta pelos mogianos sobre a inviabilidade de se instalar uma praça de pedágio no trecho inferior a 20 km daquela rodovia.

O que irá resultar dessa visita ainda é cedo para se saber, ao certo. Mas a julgar pelos últimos desdobramentos da questão, não será surpresa se novos estudos vierem a ser anunciados, antes de uma solução definitiva para o problema.

Esta solução, não há dúvidas, terá de vir do andar superior do Palácio dos Bandeirantes, onde está o gabinete do governador João Doria, o qual, até agora, tem se mantido a uma providencial distância do pedágio, produto exclusivo da capacidade criativa de diretores e tecnocratas da Artesp.

Enquanto não houver uma intervenção direta do governador, os apelos de Mogi das Cruzes e região continuarão a ser analisados por funcionários de segundo escalão, como aconteceu na audiência de quinta-feira, quando nem mesmo o secretário de Logística e Transportes e o diretor-presidente da Artesp se dignaram a aparecer para recepcionar a comitiva mogiana, que contava com a presença de um deputado e importante aliado do governo na esfera federal.

João Doria sabe que está em dívida com a cidade que lhe deu uma grande vitória no segundo turno das recentes eleições, quando sua chegada ao Palácio dos Bandeirantes estava seriamente ameaçada pelo crescimento de seu adversário direto, o mesmo que chegou a bater o tucano em outras cidades da região.

Pois a Mogi que colaborou –e muito – para a vitória de Doria é a mesma que está prestes a receber um pedágio, verdadeiro presente de grego, cuja inviabilidade já foi explicitada por nós, em outros editoriais.

Por isso mesmo, está na mais do que na hora de este assunto deixar o ambiente refrigerado da tecnocracia e chegar logo ao andar de cima para que a comunidade mogiana possa saber, ao certo, se foi realmente bem empregada a confiança depositada no atual governador.


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