EDITORIAL

A luta continua

Ainda não é o que esperavam os 200 mil passageiros diários dos trens entre Mogi das Cruzes e São Paulo. O início da operação da Linha 11 Coral não vai beneficiar uma grande parte dos usuários submetida às condições precárias, inseguras e críticas da baldeação em Guaianases.

Apesar disso, o Governo do Estado deu um bom passo para melhorar o meio de transporte. Porém, continuará em débito com o trabalhador e as pessoas que precisam ir e voltar para São Paulo nas viagens com maior lotação, justamente entre a madrugada e as 8 horas e a partir das 15 horas.

Nesse momento, a troca dos trens acaba apenas no período entre as 9 e 15 horas, de segunda à sexta-feira; e em tempo integral, aos sábados e domingos. E, segundo as informações iniciais divulgadas ontem, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) não tem um prazo para eliminar plenamente os transtornos causados pela superlotação.

Por agora, subirá de 30 para 120 o número de viagens sem a desumana conexão. Parece muito, mas não é, sobretudo, porque o morador das cidades do Alto Tietê sabe que o ritual de xingamentos, empurrões, quedas e os graves desentendimentos entre passageiros se dá nas viagens de trens lotados, nos horários de pico.

O Diário mantém a pressão iniciada há décadas pelo fim da baldeação. Este jornal também defende que as pressões popular e política não podem arrefecer agora.

Desde o início dos testes, alguns políticos começaram a cravar a operação do Expresso Leste como uma conquista já alcançada. Isso não é uma verdade absoluta.

Claro que as mudanças merecem ser contabilizadas de maneira positiva. O governador João Doria começa a gestão estadual fazendo mais do que fizeram seus antecessores e cumpre, em parte, uma promessa de campanha.

Desde a inauguração das novas estações ferroviárias de Ferraz de Vasconcelos e Suzano, em 2016, esperava-se a melhoria das viagens. A construção dos novos terminais era a desculpa técnica para a manutenção da baldeação e durante muito tempo, quando se falava nisso, a CPTM vislumbrava uma conexão apenas entre a partir de Suzano – já que pesava, nessa decisão, o fato de as quatro antigas estações de Mogi não terem sido remodeladas.

Com a redução das viagens dependentes da conexão, vem a pergunta: faltou vontade política dos governos passados em oferecer ao passageiro uma viagem mais decente e segura?