EDITORIAL

A mais difícil escolha

Ao comentar a prorrogação da quarentena por mais 20 dias, até o final deste mês, o prefeito Marcus Melo resumiu a decisão da seguinte maneira: “Era inevitável”.

Dois argumentos são levados em conta na política de combate ao novo coronavírus, responsável pela Covid-19, uma doença que ainda não possui método seguro e eficaz de tratamento.

O primeiro deles é a queda acentuada do isolamento social, hoje o único meio de se controlar o contágio de mais pessoas.

Afora São Paulo, a Capital, São Bernardo do Campo e Barueri lideram a curva ascendente de casos da doença, seguidas por Mogi das Cruzes, Santo André, Santos e São José dos Campos. Mogi registrou uma média de 30 novos casos confirmados na semana que passou. E, lembre-se, esse quadro é subnotificado e tem o atraso no resultado dos exames.

O mais terrível, na avaliação do prefeito Marcus Melo a este jornal, é não saber quando o pico de casos atingirá o grau máximo, para estabilizar a curva de contaminação, e começar a retroceder, como aconteceu em outras países que enfrentaram a Covid-19 – o alto poder de propagação do vírus, a gravidade de parte dos casos e o longo período de internação até que se dê a alta médica. O desafio agora é não repetir o colapso insuportável de se viver e presente em cidades brasileiras, onde pacientes morrem sufocados por falta de respiradores.

A posição de entidades representativas e uma parte da população deve ser levada em conta. O futuro da economia é mesmo incerto, mas esse período vai passar. Como aconteceu em outras.

Nesses últimos dias, chegamos ao ponto mais grave da crise de saúde pública, social e econômica.

E, de fato, o caso do comércio é sensível porque diferente da indústria, que tem fábricas voltando a produzir, e, excetuando-se alguns setores essenciais, o setor está paralisado.

Diante de duas opções, salvar vidas e os profissionais da saúde, ou a economia, o prefeito escolheu o primeiro. “Nosso objetivo é trabalhar para preservar vidas”.

Agora, isso não significa que esse será mesmo o caminho trilhado pela cidade e pelo país.

Muito será exigido da consciência de cada um e, mais ainda, dos governos, no socorro necessário para que a vida venha à frente do capital, e o “ser” à frente do “ter”.


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