ARTIGO

A mata ciliar do Rio Tietê

José Arraes

Quando exercia a presidência da Associação dos Amigos do Bairro do Mogilar e o Núcleo Ambiental da Ilha Marabá estava se solidificando com a implantação de trilhas, desassoreamento de parte do canal que a circunda, aulas de educação ambiental, reuniões de grupos culturais, de Associações de bairros e de outras Entidades, estava também, por coincidência, sendo desativado a antena transmissora da antiga Rádio Marabá instalada em um terreno anexo ao do prédio sede da administração do Núcleo.

Por dentro deste terreno passa ainda atualmente o final de uma galeria pluvial quadrada que foi instalada no meio da rua Dr. Deodato Wertheimer desde os trilhos. Ela drena todas as residências localizadas na própria via e de outras próximas.

Nessa época, ainda não existia a Estação Elevatória do Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae), construída neste terreno tempos depois, e que envia o esgoto coletado para a ETE de César de Sousa.

Ao lado deste terreno, fazendo frente para rua Delphino Alves Gregório até o antigo Tietê Futebol Clube existe uma área pertencente a UMC, que naquela ocasião projetamos pleitear junto ao Padre Melo uma doação simbólica que seria agregada ao espaço da Ilha Marabá e seriam ali desenvolvidos os estudos das espécies ciliares existentes.

Quem intermediou o início desta tratativas foi o ex-secretário municipal Laudecir Zamai. Mas não houve sucesso.

Com espécies doadas pelo viveiro do Parque Ecológico do Tietê, nativas da região, plantamos mais de três mil mudas com o presença do superintendente do Daee, José Bernardo Ortiz, do prefeito Junji Abe e da comunidade, no terreno da torre e no da UMC.

Estas plantas hoje já são árvores e dominam aquele espaço, sendo notadamente vistas como a única mata ripária do rio Tietê no trecho urbano da cidade.

Na última data comemorativa ao “Dia do Rio Tietê” estive por lá e é nítido o confronto com os outros espaços das margens do rio.

Aliás, replantar esta mata de várzea do rio Tietê tem sido motivo de diversos projetos governamentais, do Estado e do Município, que nunca foram concretizados.

Os mais antigos lembram da discussão do projeto da duplicação da Mogi Dutra.

Pois bem, esse contrato previa a recomposição desta floresta ripária, se não me falha a memória, plantando 25 mil mudas nativas da Mata Atlântica. Nunca foi feito, e ao que parece nunca ninguém cobrou.

Foi o DER quem não cumpriu o compromisso.

Em outra oportunidade, a Prefeitura de Mogi das Cruzes pleiteou e conseguiu um financiamento “a fundo perdido” do FEHIDRO (Fundo Estadual de Recursos Hídricos, cuja compensação ambiental era o plantio de uma boa quantidade de mudas também nativas da Mata Atlântica para a recomposição da Mata Ciliar do rio Tietê.

Eu soube que o projeto foi aprovado, não sei se foi executado, mas as mudas não foram plantadas.

Assim, em conclusão, não se tem muitos responsáveis por estarem devastadas estas florestas tão essenciais para se evitar o desbarrancamento e o assoreamento da calha do nosso principal manancial.

São poucos, ou é o Estado ou o Município, ambos sabidamente desleixados na manutenção, preservação e conservação deste moribundo que agoniza há anos.

O projeto da Ilha Marabá visava e deve continuar essencialmente na busca da recuperação do rio Tietê, do seu assoreamento, desbarrancamento, aprofundamento, sedimentos, qualidade da água, e que tudo tem, como pano de fundo, a recuperação da Mata Ciliar de suas margens.

José Arraes é presidente do ICATI- Instituto Cultural e Ambiental Alto Tietê