EDITORIAL

A Mogi dos Consegs

Consegs acompanham o crescimento do tráfico de drogas

Converge para a atenção à criança e ao adolescente a colcha de relatos e experiências contadas em nossa edição de domingo por presidentes dos quatro Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs) de Mogi das Cruzes. O avano do tráfico e do uso de drogas preocupam os bairros.

Representantes das regiões de César de Souza, Braz Cubas, Jundiapeba e Centro, os Consegs são um instrumento de diálogo entre a comunidade e as polícias Militar e Civil, e a Guarda Municipal, e conseguem, com base neste canal e autoridade, atualizar o perfil da criminalidade mogiana.

Em comum, eles acompanham o crescimento do tráfico de drogas e o aliciamento de jovens na venda e distribuição de entorpecentes, seguidos de crimes como invasões, furtos e roubos de casas e comércios e o vandalismo em escolas.

A Mogi dos Consegs tem respostas para a prevenção da escalada da violência. Sobretudo eles cobram a presença do poder público nos bairros.

Jorge Luiz Tripode, do Conseg do Centro, afirma que as reuniões entre as partes, comunidade, polícia e poder público, são produtivas; porém, “muitos pedidos seguem sem posicionamentos decisivos por parte do poder público”.

Já Eunice Nunes, representante de Braz Cubas, fala de um outro viés que torna o combate aos principais problemas tão desafiador, e tem a ver com a demora na resposta do estado em atacar a origem dos crimes. “Quando prendemos um traficante, outro logo aparece no lugar”, resume, ao cobrar investimentos em educação e saúde que terão efeitos a longo prazo, mas de caráter efetivo na salvaguarda das gerações futuras.

Fumie Eto, que representa bairros de César de Souza, alerta para os prejuízos acumulados pela falta de efetivo policial nas rondas preventivas e ostensivas e na iluminação pública. José Raymundo Santana, de Jundiapeba, denuncia o desamparo dos prédios e das comunidades escolares.

Com calendários próprios, os Consegs são uma ferramenta de pressão popular para atuar na segurança pública, mas também em outras prioridades para os bairros. Provocados, eles poderiam exercer um papel definitivo na desconstrução da violência e na melhoria dos serviços públicos. Pesa, desfavoravelmente, o medo de represálias porque eles atuam nos bairros, onde todas as pessoas se conhecem, e quem denuncia teme ser identificado por seus algozes, e ainda o desinteresse pela vida comunitária – o que pode ser mensurado pela ausência de associações de moradores verdadeiramente produtivas em grande parte dos bairros. Sob esse aspecto, o que faz os Consegs é um ato de resistência.