EDITORIAL

A Mogi que está fazendo bem

Além do simbolismo sobre o poder de reação e articulação do governo municipal e dos agricultores de Mogi das Cruzes, o início da distribuição de 100 toneladas de frutas, verduras e legumes a 5 mil famílias que receberão itens como arroz e feijão, nutre uma cadeia de socorro a diferentes pessoas diretamente afetadas pela pandemia do novo coronavírus.

A doação de R$ 1 milhão da Fundação do Banco do Brasil à Prefeitura de Mogi das Cruzes reúne mogianos em torno de uma mesma causa. Gente que, em situações comuns, talvez nunca se encontrasse.

Kits de alimentação que serão preventivamente higienizados por voluntários e servidores da Prefeitura começaram a ser doados a instituições que, por sua vez, vão mobilizar seus colaboradores na entrega dos alimentos a famílias carentes.

Essas instituições, esperamos nós, sabem quem verdadeiramente precisa desses alimentos neste mês e em julho, quando esses alimentos serão novamente distribuídos.

Alguns produtores rurais de Quatinga que lapidaram o modelo de cooperativismo no campo e não deixaram de trabalhar desde março, serão os distribuidores e os beneficiados com a venda dos itens frescos para a composição de cestas básicas saudáveis – e esse é outro ponto que avança no acolhimento a quem mais precisa nessa hora. O cuidado com a maneira como a ajuda está chegando ao prato dos mais impactados pela quarentena na cidade que se orgulha de ser um Cinturão Verde.

A iniciativa une pontas para o enfrentamento da crise social aberta pela quarentena exigida para o combate da Covid-19 – uma instituição bancária (o Banco do Brasil), o governo municipal, instituições sociais, voluntários, agricultores, as famílias assistidas. Mostra a decisão dessas partes de seguirem em frente.

Claro que não atenderá a todos os necessitados. E que poderá receber críticas no espectro político, necessárias, inclusive, para que tudo o que se faça neste período emergencial tenha o carimbo da transparência, da ética e do controle das ações públicas.

Mas a iniciativa, em si, é um motivo para se reconhecer acertos da administração do prefeito Marcus Melo na mitigação dos prejuízos sociais e econômicos da quarentena.

Sob esse aspecto, ainda, o lançamento da pesquisa que busca medir os impactos da pandemia na cidade poderá ser de grande valia, sobretudo se tiver continuidade. Especialmente para o futuro. É preciso ficar bem claro que após o pesadelo desse coronavírus, outros agentes patogênicos permanecerão à espreita, em qualquer lugar do mundo, esperando o melhor hora para criar outras doenças infectocontagiosas de igual ou pior calibre de mortalidade.


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