A morte do Tietê


Após quatro anos, a Fundação SOS Mata Atlântica e o ecoesportista Dan Robson iniciaram a terceira expedição para monitorar a qualidade das águas do Rio Tietê, em um percurso de 570 quilômetros que interliga 26 cidades paulistas, entre as primeiras nascentes de Salesópolis e a cidade de Barra Bonita. As primeiras percepções ratificam os danos causados pelo avanço dos processos de poluição, desmatamento e ocupação irregular nas áreas ribeirinhas, evidenciados pela superpopulação dos aguapés e o aparecimento de bancos de areia, a partir de Mogi das Cruzes.
Essa espécie registra uma absurda proliferação por causa do uso indiscriminado de fertilizantes nas lavouras existentes no entorno do manancial. Esse fenômeno suga praticamente todo o oxigênio das águas, provocando a primeira das muitas mortes do rio a pouquíssimos quilômetros do nascedouro. Nas coletas feitas nas primeiras nascentes, em Salesópolis, o Tietê apresentava 5,5 miligramas de oxigênio por litro (mg/l) de água, um parâmetro considerado ótimo. Em Biritiba Mirim, onde os aguapés tomam o leito, o índice cai para 1,1 mg/l. Em Mogi, a situação se repete e, em Suzano, o problema é a alta carga de esgotos jogada no recurso hídrico.
Importante para a cobrança de políticas públicas que mudem a triste realidade do Rio, o Projeto Observando, amplia, dessa vez, o perfil da análise sobre a degradação ambiental com a busca de outros dados sobre a qualidade e temperatura da água, como o nível de condutividade, sólidos totais, acidez, a turbidez e a quantidade de fosfato, fósforo, amônia e sulfeto.
Esse tipo de levantamento tem grande valia para as cidades da Região de Mogi das Cruzes porque investiga a fundo uma situação que, a olho nu, só piora com o tempo, e cristaliza a falências das ações governamentais para salvar o Tietê. Os dados podem auxiliar na defesa pela vida do rio e das espécies da fauna e flora que dependem dele. É difícil reconhecer, mas se há abuso no uso de fertilizantes na agricultura e se a despoluição não avança é porque a sociedade e o poder público fracassam na defesa do rio, descumprem as leis ambientais e princípios básicos de respeito à natureza – muitas pessoas ainda jogam sofás e lixo dentro do rio. Um outro exemplo? A demora na efetivação do projeto prometido pelo Governo do Estado de desassoreamento em Mogi das Cruzes e cidades vizinhas.


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