EDITORIAL

A natureza agradece

Mogi abraça uma causa mundial

Pouco mais de um ano após o Rio de Janeiro se tornar a primeira cidade brasileira a aprovar uma lei específica contra o uso de canudo em bares, restaurantes, hotéis e similiares, chega a vez de Mogi das Cruzes seguir o mesmo caminho. Nos próximos dias, o uso do produto de plástico não-biodegradável será proibido na cidade. A natureza agradece.

Está na simplicidade de uma imagem com poder de provocar o melhor dos sentidos do homem e da humanidade o início da história que, para nós, em Mogi, ganha estatura a partir de agora com a entrada em vigor da lei proposta pelos vereadores Otto Flores (PSD) e Fernanda Moreno (PV).

Em 2015, o registro do socorro de uma tartaruga marinha oliva com um canudinho de plástico enfiado no nariz viralizou pela internet e foi ponto de partida para uma campanha mundial. A imagem foi feita pela bióloga Christine Figgener, em 10 de agosto daquele ano, numa pesquisa de campo, em Guanacaste, na Costa Rica.

Pesquisadores da vida marinha atendem rotineiramente tartarugas feridas por arpões, redes de pesca ou mordidas de tubarães. Mas, naquele dia, o salvamento despertou algo nas pessoas que viram o sofrimento da espécie, mobilizando uma rede de ações concretas nos Estados Unidos, Inglaterra, e por aí afora.

Mogi abraça uma causa mundial. A leveza dificulta a reciclagem do canudo durante os processos manuais de separação do lixo. Por isso, eles acabam no lixo comum e do lixo comum vão para o fundo o mar. Os canudinhos se dividem em pequenos pedacinhos e são confundidos como comida pelos animais nos oceanos.

A criação de leis municipais pelo Brasil é mais recente. No Rio, a primeira cidade a agir no Brasil, a legislação é de 2018. Em Mogi, haverá advertência, no primeiro desrespeito à lei, e multa, logo após isso, de 15 UFMs (Unidade Fiscal do Município) e de 55 UFMs, na segunda e terceira fiscalização. Em valores de hoje de R$ 2,6 mil a R$ 9,5 mil.

Uma outra notícia sobre o assunto alenta para a efetividade da legislação, assim como aconteceu, em grande medida, com as sacolinhas de supermercado, que passaram a ser feitas com produtos de mais fácil decomposição. No caso dos canudinhos, um material alternativo está sendo pesquisado pela Suzano Papel e Celulose, na nossa Região. Esse é um bom indicativo sobre o combate futuro de uma das causas do desaparecimento de espécies marinhas.

O canudo plástico é o sétimo produto mais encontrado no lixo jogado dentro dos oceanos.