EDITORIAL

A notícia da semana

“Há que se celebrar esta boa nova que aponta para o futuro”

Foi por acaso que o imigrante ucraniano Hélio Borenstein chegou a Mogi das Cruzes em 1917, há 102 anos: havia desembarcado, do vapor Teotônia, procedente da Europa. Tinha 17 anos, vinha sozinho, trazia uma única mala e pouco dinheiro. Da Praça Mauá, porto do Rio de Janeiro, caminhou pouco mais de dois quilômetros, rumo à Estação Pedro II, de onde partiam os trens para São Paulo. Embarcou no primeiro deles.

Dentre os guardados, tinha especial atenção por uma carta, da qual era portador, remetida por seus pais, para uma família conhecida na cidade de Jacareí. Sem dominar o idioma local, perdeu a estação anunciada pelo cabineiro. Decidiu descer na escala seguinte – Mogi das Cruzes. Aqui, por gestos de mímica, indicaram-lhe que, na rua Municipal (atual Coronel Souza Franco) encontraria judeus como ele. E Hélio chegou à loja de colchões que a família Grinberg tinha.

Ali foi acolhido como uma espécie de taifeiro: fazia de tudo e morava em cômodo nos fundos do comércio. Ficou pouco, logo comprou uma bicicleta, abasteceu-se de gravatas, cintos e lenços que apregoava no centro de Mogi. Esse é o começo de uma história de 47 anos até sua morte, em setembro de 1964. Tempo suficiente para construir a trajetória de um dos maiores empreendedores do século passado nesta cidade. Era o homem da Casa Helius, das Lojas Belver, da Cinematográfica Melo Freire & Borenstein, da Cotac, da Vila Hélio.

Pois esta saga segue preservada pelos descendentes, que mantém seu nome na holding de um dos maiores grupos do setor imobiliário no País. Hélio Borenstein S.A Administração, Participações e Comércio, também nas controladas Helbor Empreendimentos S.A., fundada em 1977, e da HBR Realty, criada em 2011.

Pois a caçula do grupo anunciou, esta semana, a aquisição do Suzano Shopping, que vem compor seu portifólio, na área, com o Mogi Shopping, Patteo Olinda Shopping e, em breve, o Urupema Shopping. E este é apenas um dos 10 segmentos nos quais atua incluindo, entre outros, lajes corporativas, estacionamentos, hotéis e malls.

Há que se celebrar esta boa nova que aponta para o futuro.