EDITORIAL

A nova Vila Helio

A região central de Mogi das Cruzes está muito perto de mudar, um pouquinho mais, a concepção de uso e ocupação do espaço urbano. Em breve, ganha um novo trecho viário com um recurso viário diferente do praticado nas últimas décadas do século passado, centrado no uso do carro para a circulação das pessoas e no crescimento da malha de ruas e avenidas.

Esse é um processo muito vagaroso e segue modelos encontrados em grandes e pequenas cidades do mundo, que privilegiam a convivência e o conforto dos usuários e prioriza atender o cidadão na pele do pedestre, e não do motorista.

Após um ano com o tráfego de veículos fechado para as obras de reurbanização, a Vila Helio deverá ser reaberta com as calçadas alargadas e o rebaixamento da via, semelhante ao que foi feito no trecho da Rua Professor Flaviano de Melo, entre a Rua Braz Cubas e a Praça Monsenhor Roque Pinto.

Os demais pontos com características parecidas estão nos calçadões da Rua Dr. Paulo Frontin, uma pequena parte da Dr. Deodato Wertheimer, e no interior dos empreendimentos do Patteo Mogilar.

A revitalização foi proposta e executada pelo empresário Marcos Borenstein, do grupo Marbor, que possui empreendimentos comerciais no entorno da Avenida Voluntário Pinheiro Franco, que foi o principal corredor de negócios e instituições financeiras no século passado e ainda possui forte potencial econômico.

A nova Vila Helio deve fomentar empreendimentos em uma localização nobre do centro, ao lado de importantes recursos de transporte público (terminal de ônibus e trens).

A obra tem um interesse comercial, lógico. Mas delega ao centro e também a Mogi um mobiliário urbano, que nunca esteve nos planos da Prefeitura, mesmo com os problemas enfrentados ali com os alagamentos nos dias de chuva. Também por esse viés, a revitalização é positiva.

A Prefeitura tinha um projeto de fazer o mesmo que aconteceu na Flaviano de Melo em um trecho da Rua Coronel Souza Franco, no entorno do Mercado Municipal, atendendo, dessa forma, um padrão de mobilidade endereçado ao pedestre e que mira a redução da circulação de carros.

Não se sabe, porém, quando isso sairá do papel porque é distinta a velocidade entre o planejamento, a vontade política e a execução de obras públicas. Basta lembrar que a conquista dos primeiros e únicos calçadões, que trouxeram segurança, comodidade, beleza e praticidade para os consumidores, já faz mais de 30 anos.