CHICO ORNELLAS

A pacata Sabaúna, palco do grande assalto

ASSALTO ÉPICO – Os primeiros policiais chegam ao vagão pagador, em Sabaúna, para investigar o grande assalto de 1954. (acervo revista Manchete)
ASSALTO ÉPICO – Os primeiros policiais chegam ao vagão pagador, em Sabaúna, para investigar o grande assalto de 1954. (acervo revista Manchete)

É um dos mais antigos sítios de Mogi, distrito desde 1920 e, por conta das dificuldades de acesso e das limitações da legislação ambiental, segue hoje no mesmo ritmo dos tempos em que frades carmelitas cuidavam das terras, distantes 20 quilômetros do centro urbano. A bem da verdade, até que se pensou num boom lá pelos idos de 1876, quando os trilhos da Estrada de Ferro Central do Brasil chegaram a Sabaúna. O sonho foi longo, durou exatos 110 anos: em 1986 passou a última composição entre Mogi das Cruzes e São José dos Campos. Nunca mais, exceto um trem turístico de circulação irregular.

Fama mesmo Sabaúna teve há 60 anos: no dia 9 de junho de 1954, uma quarta-feira, quando três homens tentaram assaltar o Trem Pagador na sua escala por ali.

A ferrovia estava, para as cidades, como a corrente sanguínea para os vertebrados: por ela circulava a vida e ela determinava o ritmo dessa vida. As correspondências iam e vinham nos vagões Correio; os gêneros alimentícios também, nos vagões de carga que tudo transportavam. Havia vagão para animais, vagão restaurante, dormitório; também vagão do chefe. E o vagão pagador.

As composições iam sendo montadas conforme a necessidade. A princípio, o vagão pagador era utilizado apenas pela ferrovia, para pagar o salário de seus funcionários ao longo do percurso. Sempre em dinheiro vivo. Com o tempo, empresas localizadas no percurso da linha férrea passaram a usar seus serviços.

O pagador poderia ser o segundo ou o último vagão. Seria o segundo, imediatamente após o do chefe do trem, se não houvesse necessidade de desengatá-lo no percurso. Neste caso, seria então o último e ficaria por um tempo maior em grandes estações, cumprindo seu papel de banco e esperando a próxima composição.

Sabaúna é hoje um gracioso e pacato vilarejo? Imagine então em 1954, quando lamentava – já havia dois anos – a construção do ramal variante de Parateí. Ele passa do outro lado da Serra do Itapeti, em linha paralela à via Dutra (o primeiro viaduto da Mogi-Dutra, após o trevo da Ayrton Senna, é sobre ele). A linha variante foi aberta para encurtar o percurso São Paulo-Rio e evitar que os trens de carga peregrinassem por centros urbanos. Com o tempo, lançou ao ostracismo ferroviário muitas das paradas original da primeira linha.

Pois no dia 9 de junho de 1954, logo após a parada que o Trem Pagador fez em Sabaúna, três homens invadiram, armados, o vagão pagador. Trocaram tiros com os guardas. Um dos assaltantes morreu, outros dois fugiram, deixando morto também o ferroviário Manoel de Oliveira Andrade. Tinha 45 anos, um tiro na cabeça, outro no coração. Na mão fechada, segurava a chave do cofre. Seu nome foi dado, como homenagem, a uma estação da linha Parateí – “Pagador Andrade” – localizada em Jacareí, a 11 quilômetros da via Dutra.

O assaltante morto era José Lopes dos Santos, tinha 24 anos e trabalhava no Bar Triângulo, em Mogi. Os outros dois foram presos poucos dias depois, por um detalhe insólito: no vagão pagador deixaram cair um boné, com a marca Renner. A polícia foi à loja da marca em Mogi, o gerente lembrou-se da venda e entregou cópia da nota fiscal com os nomes dos compradores.

No caso de Sabaúna, o vagão pagador era o último do trem, pois pernoitaria em Jacareí. Ele levava 13 milhões de cruzeiros (equivalentes hoje a cerca de R$ 8,6 milhões, segundo a atualização pelo IGP-DI). Nada foi roubado.

Carta a um amigo
Furto no Clube de Campo

A propósito de nota publicada nesta página, na edição de domingo passado, a diretoria do Clube de Campo envia a seguinte carta:

Com relação à nota “O Pior de Mogi”, publicada na página assinada por Chico Ornellas, na edição de 27 de janeiro de 2019 (domingo), do jornal O Diário (de Mogi), a Diretoria-Executiva do Clube de Campo de Mogi das Cruzes (CCMC) esclarece:

De fato, houve em janeiro de 2019 o registro de furto nas áreas da piscina e da sauna de nossas dependências. Contudo, esse tipo de episódio não é exclusividade da atual gestão (2018/2019) e, justamente em razão disso, deve ser enfrentado com responsabilidade e estratégia. 

A fim de elucidarmos o caso e de identificarmos os envolvidos, a entidade está debruçada na análise das imagens das câmeras de monitoramento instaladas em todo o clube e que foram capturadas no dia e na hora em que o furto teria ocorrido, segundo o que comunicaram as vítimas. O CCMC também está disponível para acolher denúncias, assegurando sigilo absoluto de quem souber algo sobre o tema e deseja colaborar com as investigações.

Uma vez confirmada a autoria desse delito, em caso de ser associado, funcionário ou fornecedor, o mesmo vai arcar com as sanções previstas em lei e no estatuto interno, lembrando que o fato também já é de conhecimento das autoridades policiais, que, de forma paralela, averíguam o caso.

De toda maneira, o CCMC está modernizando a segurança na entrada de suas dependências, com direito à instalação de catracas por biometria, que deverão estar funcionando até a segunda quinzena de março deste ano – projeto da atual gestão e que foi divulgado internamente e à Imprensa em 2018.

Ao mesmo tempo, a linha de frente da entidade criou uma Comissão Mista de Segurança. O objetivo do colegiado é debater e propor ações preventivas e corretivas, a fim de minimizar qualquer ocorrência criminosa dentro do clube.

Também foi aberta recentemente uma licitação para a contratação terceirizada de uma empresa de monitoramento 24 horas, para que a mesma opere o sistema de câmeras do Clube de Campo. A previsão é que até o fim do mês tal prestação de serviço esteja em vigência.

Independentemente de a atual gestão estar empenhada a solucionar o caso e de ter tomado, de pronto, todas as providências que lhe eram cabíveis, a mesma REPUDIA VEEMENTEMENTE conduta desta natureza, ainda mais por se tratar de um clube recreativo familiar, que tem acesso restrito a associados, que pagam por seus títulos e mensalidades, e que devem, em contrapartida, ter à disposição ambiente seguro e de qualidade, além de infraestrutura adequada.

Diretoria-Executiva do Clube de Campo de Mogi das Cruzes”

FLAGRANTE DO SÉCULO XX
CIDADE GENTIL – A casa da família Pavan ficava na esquina das ruas Tenente Manoel Alves e Flaviano de Melo.

GENTE DE MOGI
PROATIVA – Quem a conheceu lembra-se de sua proatividade, aquele ser que não procrastina, ousa sonhar, define objetivos e assume o controle da própria vida. Pedagoga e psicóloga, já tinha história acadêmica quando passou a atuar no pioneiro Serviço de Investigação de Crimes Sexuais, na Universidade de Mogi das Cruzes. Ao lado, o marido Wilmes Roberto Gonçalves Teixeira, reconhecido pela competência científica. Cândida Maria Plaza Teixeira tinha 75 anos quando um infarto fulminante a levou enquanto dormia. Era julho de 2015.

O melhor de Mogi

Vocês já perceberam o que tem de fotógrafo talentoso aqui em Mogi? Além do mais, gente da melhor qualidade.

O pior de Mogi

Fontes ligadas à Secretaria de Saúde do Estado dão conta de que uma corregedoria, sobre as organizações sociais que gerem a estrutura do setor, pode resultar na abertura de uma verdadeira Caixa de Pandora. Aguardemos algo com relação à SPDM, a enigmática OSS que impera no Hospital Luzia de Pinho Melo.

Ser mogiano é….

Ser mogiano é… visitar a Capela de Santo Ângelo, na Estrada das Varinhas (Jundiapeba).