EDITORIAL

A saúde de hoje

À gripe espanhola, que infectou cerca de 500 milhões de pessoas, quase um quarto da população mundial em 1918, o Brasil deve a criação de um modelo que caminha, agora, para fortalecer ainda mais o Sistema Único de Saúde, o SUS.

Também surgiu, naquele tempo, a caipirinha, a partir de uma falsa notícia. A mistura da cachaça, o limão e o açúcar foi tomada como remédio para a peste com poder de letalidade maior do que a Covid-19.

Façamos um recorte para os dias atuais. A desinformação segue fazendo vítimas. Já o aparato dos serviços de saúde não tem comparação entre os dois eventos.

Um olhar sobre Mogi nos leva a reconhecer o lastro criado por acontecimentos históricos na cidade. Temos dificuldades, muitas. Mas a rede hospitalar tem dado conta do recado.

Do passado, vale o registro da construção do nosso primeiro hospital, a Santa Casa de Misericórdia (que está a alguns dias de fazer 147 anos), da Maternidade Mãe Pobre e do Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti. Na composição do atual aparato, conta, e muito, a Faculdade de Medicina e a Policlínica da Universidade de Mogi das Cruzes, o Hospital Luzia de Pinho Melo, o Hospital Municipal de Braz Cubas, e também a rede particular (Ipiranga, Santana, e outros).

Um levantamento atualizado sobre a estrutura hospitalar brasileira mostra que apenas 505 dos 5.570 municípios possuem leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), ou seja, 9,.6%. Os tomógrafos são encontrados em 855 cidades, ou seja, 15,3%, a mairoria desse total na rede particular.

O índice de respiradores não alcança a metade do Brasil, 40,7%. Os dados são da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, a Fundação Oswaldo Cruz.

A concentração dos hospitais está nas cidades metropolitanas e capitais, que também agrupam o maior contingente populacional.

É o que se vê no Alto Tietê, onde as cidades maiores são referência para as menores – entre estas há as que não possuem maternidade para receber seus recém-nascidos. As crianças nascem na vizinhança.

Olhando esse panorama, Mogi colhe hoje o que foi plantado no passado por seus cidadãos e lideranças que viram, na saúde, um meio de promover o desenvolvimento social.

Algo que agora, na pandemia, vale ser lembrado.


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