EDITORIAL

A saúde do amanhã

No livro A Era dos Extremos – O breve século XX 1914-1991, o historiador britânico Eric Hobsbawn (1917-2012) inicia o capítulo sobre os Anos Dourados, após a Segunda Guerra Mundial, com um argumento útil para esse instante, quando o mundo se une em torno de um desafio global, a superação da pandemia do novo coronavírus, que infectou milhares de pessoas e provoca a Covid-19.

Diz ele: “A maioria dos seres humanos atua como os historiadores: só em retrospecto reconhece a natureza de sua experiência. Durante os anos 50, sobretudo nos países “desenvolvidos” cada vez mais prósperos, muita gente sabia que os tempos tinham de fato melhorados, especialmente se suas lembranças alcançavam os anos anteriores à Segunda Guerra Mundial”.

Nós, de maneira muito rápida, conseguiu sentir isso em muitas instâncias de nossas vidas. Mas, tomemos como exemplo, algo regional. Até pouco tempo, um dos complicadores da rede pública era a falta de leitos de maternidade e de Unidade de Terapia Intensiva (UT) Neonatal, o que levou a uma crise na Santa Casa de Misericórdia de Mogi, referência para uma parte das cidades do Alto Tietê.

Esse deficit persiste. Porém, a falta de estrutura hospitalar generalizada diante da pandemia já tem o poder de minimizar o que vivemos há menos de dois meses na atenção às gestantes e recém-nascidos.

Imprevisível dizer como será tudo após essa pandemia. Mas algumas medidas começam a desenhar uma mudança possível no trato da saúde regional – os gestores municipais terão a oportunidade de bem utilizar os recursos federais e estaduais que começam a ser anunciados

Um exemplo disso foi dado pela prefeita Fábia Porto, de Santa Isabel, a este jornal. Ela espera receber o dinheiro para socorrer os doentes e pretende ampliar de 12 para 30 o número de respiradores e criar condições de salvar vidas.

Claro que ainda estamos passando por essa turbulência. Porém, algo perceptível começa a se mudar a realidade: as pequenas cidades que não dispunham de recursos hospitalares podem, agora, conquistar o que prefeitos anteriormente não conseguiram fazer.

É uma esperança de recuperação do tempo perdido que não resolverá todos os nossos problemas regionais, e nem do mundo. Mas, pelo menos, indica um caminho melhor do que o cumprido até aqui. Caberá ao gestor público, no entanto, fazer o bom uso dos recursos injetados na saúde.


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