EDITORIAL

A seca e a pandemia

Os níveis recentes das barragens do Sistema Produtor Alto Tietê, o SPAT, responsável por abastecer as casas de mais de quatro milhões de moradores da região de Mogi das Cruzes e parte de São Paulo, nos dão chance de falar da ciência, da técnica e do planejamento hídrico.

De janeiro a maio, os índices das chuvas ficaram abaixo do esperado. Ciclos climáticos de estiagem ocorrem de tempos em tempos, e o aquecimento global anda acelerando esse fenômeno.

São Paulo viveu entre os anos de 2014 a 2016, o pior desses eventos. A seca não foi aplacada pela dança da chuva, nem os pedidos a São Pedro. Foi vencida com o racionamento da água e os investimentos no setor.

Aquela experiência legou a São Paulo aprendizados que demonstram resultados positivos agora, como apontou o engenheiro e professor José Roberto Kachel, em nossa edição de quarta-feira.

A ampliação da capacidade de armazenamento e as operações para a redistribuição dos recursos dos sistemas produtores de água deverão garantir a segurança hídrica até a chegada de setembro e das chuvas.

Tudo isso vale muito para o embate que vivemos hoje. Embora no início, em 2014, muitos, inclusive o ex-governador Geraldo Alckmin, tenham pedido ajuda aos céus, prevaleceram a técnica e a ciência nas respostas para o drama vivido por paulistas pobres e ricos. Faltou água inclusive em milionários metros quadrados da capital paulista.

A falta de chuva e a grande demanda na Região Metropolitana de São Paulo desencadearam investimentos no saneamento básico. Por isso, a estiagem pode ser vista com outros olhos.

E o que tem isso a ver com a pandemia?

Já se sabe que água limpa, sabão e a técnica correta para lavar as mãos é o primeiro degrau para a prevenção. Depois se intercalam o uso das máscaras, a limpeza dos objetos tocados, o isolamento de quem está doente, os testes em massa, a melhoria da estrutura hospitalar até que a vacina surja, etc.

A sabedoria nasce do erro e acerto. A história trata de nos abrir os olhos, quando a experiência individual e coletiva não alcança resposta para perguntas como as que temos hoje.

Basta recorrer o que todos ainda se lembram – a luta pela água, durante a seca – para reconhecer a força da opção correta, abalizada. São Paulo conseguiu até fazer chover. Bombardeou as nuvens. E se valeu, ao final de tudo, do norte dado por especialistas e pela ciência para resolver um problema que atingiu milhões de pessoas.


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