EDITORIAL

A volta do cinema

Qualquer sinal de revitalização contribuiu para a vida social e comercial do centro

Fenômeno do crescimento urbano, a descentralização dos polos comerciais e de prestação de serviços para os bairros e distritos interferiu na escalada de interesse, investimentos e de modernização do centro, o coração de Mogi das Cruzes. Sobretudo, nas útimas duas décadas. Somado a isso, a instabilidade econômica e as dificuldades de se promover políticas públicas atrativas aos pequenos e médios empreendedores, e também para o frequentador, com a oferta de facilidades, como as opções para o estacionamento, ajudam a explicar o certo desprestígio e a deterioração da região. Algo medido pela quantidade de imóveis fechados ou subutilizados e o deserto que o local se transforma quando anoitece.

Essa deterioração é prejudicial para todos, inclusive para os cofres públicos. É desinteressante para quem vive, trabalha ou possui imóveis ali. Não concatenar o crescimento da cidade com a proteção do centro desqualifica o que deveria ser nobre por si só – é o centro que liga todos os demais bairros. É ainda mais desinteressante para o governo municipal. Precarizada, a região afasta morador e comerciante, atrai desocupados, e provoca a insegurança e a desvalorização imobiliária.

O centro se fortaleceu com o crescimento da vila existente no entorno da estação ferroviária, o grupo escolar, o Coronel Almeida, e as igrejas de Santana e do Carmo. Pode ser considerado a espinha dorsal da cidade. Por isso, mesmo com todos os pesares, segue como ponto de passagem de milhares de pessoas e de intensa movimentação financeira.

Estão no centro as maiores e mais antigas agências bancárias, o Mercado Municipal e uma variedade de lojas e negócios populares, além das grandes redes de roupas, eletrodomésticos, etc.

Esse leque de negócios fideliza o consumidor e o frequentador. Qualquer sinal de revitalização contribuiu para a vida comercial e social dessa área.

Ainda que seja apenas um projetos, a construção do Shopping Patteo Urupema confirmada no final de semana pela HBR Realty, um dos braços do grupo Helbor, atrai a atenção esses potenciais e serve de estímulo para quem já está no centro. A projeção confirma a aposta do grupo imobiliário em Mogi das Cruzes.

O anúncio alenta sobre uma questão adormecida há três décadas, com o início do fechamento dos antigos cines Avenida, Urupema e Odeon, que atrairam frequentadores ao centro, fora do horário comercial. O retorno do uso da região central como um polo de lazer e entretenimento, com a construção de quatro salas de cinema e 800 lugares, tem tudo para dar vigorar a região central. Agora, é torcer para os ventos da economia ajudarem.