EDITORIAL

A volta do sarampo

Secretaria de Saúde faz alerta: crianças e adultos devem ser vacinados

Mogi das Cruzes registrou nos últimos dias dois casos suspeitos de sarampo e a Secretaria Municipal de Saúde faz o alerta: crianças e adultos devem ser vacinados. A vacina tríplice protege contra o sarampo, rubéola e caxumba, mas isso ocorre somente com a aplicação das duas doses. Muitas pessoas tomam apenas uma.

Em março deste ano, o Brasil perdeu a certificação por ter erradicado a doença, concedida pela Organização Pan-Americana de Saúde. As confirmações da doença excederam o mínimo exigido para a manutenção desse título.

O Ministério da Saúde prevê retomar a condição validada por organismos internacionais até o ano que vem. Não é tarefa simples, blindar regiões de doenças contagiosas. Além de dificuldades impostas atualmente pela grande circulação das populações entre estados e países, os governos travam um embate que antes não existia: a comunicação com as pessoas. Décadas passadas, o chamado para a vacinação contra doenças como a paralisia infantil e o sarampo era prontamente atendido, hoje já não o é mais. Um resultado da crise de confiança e credibilidade que os governos enfrentam. E não apenas no Brasil. Bom que se avise.

Antes dos anos 1960, quando a vacina foi descoberta, quase a totalidade da população brasileira tinha sarampo, uma doença exantemática, que se caracteriza pelo aparecimento de erupções cutâneas, e de altíssimo poder de contágio. No século XX, mitos vitaminaram o potencial de contaminação do vírus: os pais acreditavam que quanto mais novo o filho tivesse o sarampo, mais “fraca” seria a doença, Uma crendice popular que resultou em muitas mortes.

A cobertura vacinal garante o controle do sarampo que voltou a aparecer em diferentes partes do mundo. Os motivos: o maior trânsito das pessoas entre os países, sendo que uma parte desses locais não possuem a plena imunização de seus moradores, e o desprezo de uma parcela das pessoas pela imunização. Cresce a convicção de muitas pessoas sobre a ineficácia das vacinas, a partir de informações falsas.

Por isso, a Secretaria Municipal de Saúde acende o alerta, mesmo diante de dois casos suspeitos, e recomenda que crianças e adultos sejam vacinados.

A informação pode salvar vidas, reduzir a superlotação de serviços de saúde e os custos do tratamento.

A volta do sarampo e os riscos de outros doenças controladas fazerem vítimas nos faz lembrar, ainda, um outro desafio para a saúde pública: melhorar a formação médica (sim, há médicos na origem de falsas notícias) e o diálogo entre o médico e o paciente, o que pode ampliar a eficiência da cobertura vacinal.