EDITORIAL

A volta dos blocos

Suburbloco, Entruído da Vó, Come Quieto, Caboclas, Gira Mundo e outros blocos saíram às ruas, seis anos depois de um dos mais tensos momentos vividos por foliões e o poder público municipal. Ainda falta muito para essa tradição reviver o que a cidade produziu no passado recente, quando milhares de pessoas abriam a folia do Momo de maneira divertida e irreverente, atrás de bandas como a Vai Quem Quer e a dos clubes Siderúrgico e de Campo.

Em 2014, um decreto municipal proibiu a realização da festa de rua como se essa tradição popular pudesse ser contida. Não adiantou. Mesmo sem o aval do governo municipal e com o endurecimento das exigências a quem pretendia levar a brincadeira à frente, o Suburbloco e o Jabuticaqui continuaram a repetir um rito que sempre existiu na cidade. O resultado daquele ano foi desastroso – um enfrentamento desnecessário que acabou na polícia, com um protesto silencioso dos manifestantes sentados na porta do delegado, até a liberação de alguns dos integrantes do Suburbloco. Uma situação que mais atingiu o poder público do que os dois ou três blocos sobreviventes.

Mogi vivia esse destempero, já nas capitais e cidades metropolitanas, a tendência era outra: bloquinhos iam ganhando força e os desfiles oficiais decaindo. Tanto que em grande parte dos pequenos e médios municípios, as escolas de samba praticamente acabaram.

Por isso, enquanto os bloquinhos de Mogi começam a surgir agora, reunindo pouquíssimos integrantes e grupos de amigos; Guararema, a nossa vizinha, colhe dividendo com a atração de pessoas de outras cidades em torno da folia destinada a um público familiar e jovem, bem organizada e segura.

Ainda bem que a Prefeitura voltou atrás e oferece o mínimo de atenção e respaldo a uma manifestação popular que, goste ou não – o prefeito da vez ou a parcela dos eleitores que não curte a brincadeira, as marchinhas e os tamborins -, é um fortíssimo símbolo da cultura brasileira.


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