A voz da Cidade

Bastou uma nota publicada em nossa edição de terça-feira, na coluna Informação, do jornalista Darwin Valente, para que – de pronto – a Diretoria de Serviços ao Cidadão da Prodesp corresse se explicar. A Prodesp é a companhia de processamento de dados do governo do Estado responsável pela gestão de todos os postos do Poupatempo.O caso enfocado por este jornal foi o desconforto, com registro de incidentes de saúde, provocado pelo dano havido, há semanas, no sistema de ar-condicionado do Poupatempo local. O serviço atende a 2,1 mil cidadãos por dia, funciona em um imóvel particular e não tem ventilação natural. Sem ar-condicionado, nem mesmo renovação, ficou insuportável para os usuários do serviço. O que dizer, então, para seus funcionários, obrigados a passar ali muitas horas por dia.
Um avião não decola com seu equipamento de ar-condicionado danificado. E cirurgião algum se atreveria a operar paciente em sala sem esse acessório. De mais a mais, naquele espaço amplo, inconcebível que se tenha permitido que os aparelhos chegassem a um ponto de quebra que só a substituição resolve.
Inadmissível que um dos serviços estatais mais bem avaliado da Cidade (anotou 99% de bom e ótimo em recente pesquisa), com uma equipe de funcionários reconhecida pela presteza e gentileza no atendimento, tenha chegado a esse ponto.
Revelador também que na Cidade com 23 vereadores eleitos para representar nossos 400 mil habitantes, nenhum deles se tenha manifestado acerca de uma questão que lhes é vizinha: o posto do Poupatempo fica a cerca de 200 metros da Câmara Municipal. Onde, até onde se saiba, não falta ar-condicionado para vereadores e funcionários. À mesma distância está a Prefeitura Municipal; e, da mesma forma, ninguém de lá se manifestou.
Aqui, de nossa trincheira, ficamos satisfeitos por seguirmos sendo a voz da Cidade, o lugar para onde correm os que não têm a quem se socorrer. Preservamos, há 60 anos, o ideal de continuarmos acalentando os aflitos e afligindo os poderosos.