ARTIGO

Acabou a festa

Diego Cápua
Apesar se muitos dizerem que o ano só começa depois do carnaval, acredito que há muitos anos isso já não se aplica mais a nosso país. Muita coisa acontece antes desses dias de festa, porém, é necessário que esse atual governo aproveite o fim desse período e decrete que, internamente, acabou a festa.

Claro que o tempo decorrido de governo é muito pequeno e não podemos exigir que soluções mágicas tivessem ocorrido, mas temos que findo dois meses de governo já houve tempo de arrumar a casa e ver as (inúmeras) falhas que deveriam ser corrigidas.

É preciso que a ordem seja estabelecida, que haja disciplina e noção de hierarquia, posto que a questão de que se trata de um governo sem muitas amarras políticas está em extrema evidência, haja vista que o jogo de cintura necessário e saudável para as negociações ainda não se fez visível, de maneira que isso põe em risco a aprovação de projetos sobre temas sensíveis como a reforma da previdência e as privatizações.

Esses dois temas são destacados, uma vez que são sensíveis não apenas pela importância quem têm para se organizar financeiramente o país e tornar viável a seguridade social para as gerações futuras, mas sim porque ao tocarem em políticas paternalistas, tornam necessário um poder de convencimento muito grande para trazer uma massa de deputados e senadores para votarem a favor das propostas apresentadas.

Por tais razões, nesse final de carnaval, temos como o momento propício para o chefe do executivo, sem alarde e longe da imprensa, chamar toda sua equipe e lideranças, bater firme na mesa e por fim à brincadeira, deixar claro quem é o “chefe”, expor os erros e cobrar um comportamento condizente de todos.

Chega dessas condutas nas quais todos acham que podem falar e fazer o que querem, posto que cada ato tem um impacto muito profundo na sociedade, afinal, se trata da equipe que está administrando o executivo federal e não um bloquinho de carnaval.

Diego Cápua é advogado