Acertando os passos

Alguns dos resultados da prestação de contas semestral divulgada pela Santa Casa de Misericórdia sugerem que o serviço começa a vencer a crise financeira e institucional que determinou, em 2010, o fechamento do berçário e da maternidade por causa da morte de 12 bebês. Naquele ano, o hospital chegou à beira da insolvência por causa dos problemas financeiros e das dificuldades em manter principalmente o atendimento a gestantes e recém-nascidos. Desde então, a Secretaria Municipal de Saúde passou a compartilhar a gestão da entidade filantrópica. E alguns dos resultados dessa parceria começam a aparecer.
As contas entre janeiro e julho fecharam no azul, com uma arrecadação mensal superior às despesas gastas para o funcionamento dos 181 leitos. Nestes cinco anos, o aperto nos gastos e a renegociação das dívidas deram resultado. Esses feitos apontam para a necessidade de manter a profissionalização e o comprometimento da equipe de gestores que aceitou o desafio de tirar a Santa Casa do vermelho.

Agora, um dos destaques dessa última prestação de serviços relevada pela direção da Santa Casa e da Secretaria Municipal de Saúde diz respeito à diminuição da mortalidade infantil, que chegou nos primeiros seis meses de 2014, a um coeficiente de 18,70 bebês mortos a cada mil nascidos vivo, índice considerado bastante elevado, quando comparado com a média nacional daquele ano que foi de 14,40. Agora, no primeiro semestre que passou, o índice bateu a casa de 11,36, sendo que o número de partos reduziu consideravelmente entre os dois períodos – de 3.209 para 2.589.

O dado é importante, mas é parcial, o que obriga a cautela nas avaliações. O secretário municipal de Saúde, Marcelo Cusatis, analisa que o fato se deve à adoção de medidas, como a criação da Comissão Municipal Permanente de Fiscalização e Controle, reforma do berçário, a implantação da UTI Neonatal [ que opera com um número de leitos inferior ao necessário] e o Programa Mãe Mogiana. “São dados positivos, que têm sido conquistados também na rede pública, mas que exigem continuidade”, reflete ele.

Ele tem razão. A proteção à vida dos recém-nascidos precisa ter um régio e constante controle. A análise dos dados da mortalidade infantil nos últimos cinco anos não deixa dúvidas sobre isso. Em 2011, por exemplo, o índice foi de 9,74 no primeiro semestre, um número que infelizmente foi duplicado no ano passado (18,70) e agora diminuiu (11,38).