Acessibilidade em construção

As dificuldades em se garantir a plena acessibilidade no Centro Cultural, que será inaugurado nas próximas semanas no antigo prédio da Telefônica/Vivo, na Praça Monsenhor Roque Pinto de Barros, e não terá elevadores para o atendimento às pessoas com deficiência, fazem parte de uma realidade urbana, pontuada por lentas mudanças. A maioria dos prédios públicos e privados antigos não possui rampas e outras soluções construtivas hoje previstas nos novos projetos para garantir o acesso de todas as pessoas.
No caso do Centro Cultural, segundo a Prefeitura, estão em curso os entendimentos para a compra do prédio particular que está sendo alugado para abrigar o novo espaço que receberá, além de exposições e outras atividades, a Biblioteca Pública Benedito Sérvulo de Santana. Somente após isso, intervenções como a instalação de um elevador serão possíveis. Antes disso, o acesso aos pisos superiores será feito pelas escadas.

A adaptação dos prédios para o recebimento pleno e adequado do público é um processo demorado, mas que começa a apresentar alguns pontos positivos. A reforma da Prefeitura Municipal contemplou a instalação dos elevadores; também na Câmara Municipal, o cidadão com mobilidade reduzida – pessoas com deficiência, idosos, etc. – precisam vencer as escadarias de acesso às galerias do plenário, onde são realizadas as sessões públicas. Já para ir aos gabinetes, isso já não acontece desde 2006, quando a casa passou a ter o equipamento.

A demora em se conseguir adaptar os dois prédios públicos dá medida ao tamanho do desafio da Cidade para ser reconhecida como um lugar onde a plena e necessária acessibilidade atende às mudanças no comportamento humano, iniciadas no final do século passado, quando as diferenças passaram a ser combatidas com a inclusão de grupos antes notoriamente segregados ao ambiente familiar. Escolas, universidades, postos de saúde, bancos, teatros, estações, rodoviárias, conjuntos populares, a maioria dos locais onde se prestam serviços públicos ou particulares começaram a ganhar rampas e sinalizações adequadas há pouco tempo.

Pontual, as discussões sobre a adaptação do Centro Cultural terão valia se, a partir dela, a sociedade organizada criar algum mecanismo para acelerar o processo de adaptação pelo menos nos prédios públicos, que adotam medidas como o atendimento de estudantes em escolas e universidades apenas no primeiro piso, que são paliativas. Políticas públicas para a inclusão plena – no trabalho, na escola, no ir e vir das pessoas – ainda não fazem parte da rotina da Cidade.