PINTURA A ÓLEO

Adelaide Swettler expõe com os alunos

Além de expor telas alegres e coloridas sob o tema ‘Viva a Natureza’, Adelaide dá aulas e realiza pinturas ao vivo no local, até o próximo dia 14. (Foto: Heitor Herruso)
Além de expor telas alegres e coloridas sob o tema ‘Viva a Natureza’, Adelaide dá aulas e realiza pinturas ao vivo no local, até o próximo dia 14. (Foto: Heitor Herruso)

No piso térreo do Centro Cultural, uma mostra coletiva de quadros homenageia os 459 anos recém-comemorados de Mogi das Cruzes. Sob o tema ‘Viva a Natureza’ e repletas de cores e emoção, as obras de Adelaide Lawitschka Swettler e seus alunos podem ser vistas até o próximo dia 14. Além disso, é possível encontrar a artista e professora diariamente no espaço, onde ela dá aulas e realiza pinturas ao vivo.

Adelaide expõe os próprios trabalhos e o dos pupilos há muito tempo. E desde que o Centro Cultural foi inaugurado, em 2015, passou a ter uma data anual por lá, em outubro. Mas neste 2019 pediu à Secretaria de Cultura para adiantar o evento, “por causa do aniversário da cidade”.

Hoje com 74 anos, desde os 7 a artista mora por aqui, e portanto, se considera mogiana. “No início eu vendia louças e porcelanas que meu pai e um amigo dele pintavam. Depois comecei a comprar peças para revender. Muito tempo depois, quando perdi um rim, encontrei apoio na arte, e nunca mais deixei de pintar”, conta ela.

A emoção que Adelaide tem para com o fazer artístico pode ser sentida em suas quatro telas expostas: uma que ostenta uma bela rosa; outra que traz desenhada uma ‘Menininha Negra’; uma sobre o Beco do Sapo; e a última sobre o Rio Tietê. “São retratos de imagens que vi ao lado do meu marido em Mogi e também passeando em Ibirama, Santa Catarina”.

Os quadros dos alunos não ficam atrás e revelam paisagens igualmente bonitas, como pontes, lagos e campos com casinhas ao melhor estilo “interior”, além de flores, animais e visuais da natureza. Todos estes cenários carregam os sentimentos de seus respectivos autores: pessoas entre os 14 e os 87 anos.

“Tem quem esteja comigo há 15 anos, e também quem começou há apenas dois meses. As idades também são bem variadas. Os mais velhos querem terminar rápido, porque acham que amanhã não estarão mais aqui. E os jovens também são ansiosos, mas para ver o término do quadro logo. E tem também quem é mais devagar e gosta de caprichar”, relata Adelaide, que durante o período do evento transfere o próprio ateliê do endereço no Alto do Ipiranga para o Centro Cultural, onde dá aulas à tarde e também recebe o público, que pode até se arriscar a pintar.

Mais do que ensinar o manejo do pincel ou técnicas de desenho às pessoas, o papel da artista é mostrar como conferir profundidade a uma obra, justamente aquilo que faz o espectador ter a sensação de “entrar no quadro”. “Procuro não fazer pelos alunos, mas sim ensiná-los, orientá-los. Cada um coloca os próprios sentimentos na tela, ou seja, quando o autor está deprimido vai utilizar cores escuras, passando a sensação de tristeza, e quando está alegre vai preferir brilho e luz”.

Por acumular praticamente 30 anos de experiências artísticas e trabalhar com diferentes gerações, Adelaide consegue traçar um panorama da cultura local. “Hoje em dia a classe artística está tendo um apoio que antes não existia. Quando comecei, pintávamos em praças públicas, e como consequência deste trabalho agora os mais jovens tem mais espaço em todas as áreas, inclusive na dança, no teatro e na música”.

Uma das fundadoras do coletivo Fronstispício das Artes, Adelaide conclui o pensamento fazendo um balanço de ‘Viva a Natureza’, que teve início no dia 29 de agosto: “O movimento tem sido grande, acredito que por ser uma seleção alegre e colorida”.

Durante a passagem da reportagem de O Diário pelo Centro Cultural, outra artista se fazia presente pelo espaço, Linda Fuga. Ela e Adelaide se conheceram num ambiente como esse, de exposição, há 12 anos, e deste então mantém uma amizade forte. “Nesse tempo todo, nunca nos desentendemos. Como amiga, fico muito feliz por esta realização. E como profissional estou curtindo muito este momento”, resume Linda, que também dá aulas e sabe “como este trabalho é gratificante”.

O Centro Cultural está localizado ao número 360 da Praça Monsenhor Roque Pinto de Barros. O horário de visitação é de terça-feira à sábado, das 9 horas às 18 horas. O telefone para outras informações é o 4798-6988.