ENTREVISTA

Adriane Amaral, ações sociais que vão além da doação

Adriane Amaral é amante da inteligência emocional. (Foto: Eisner Soares)
Adriane Amaral é amante da inteligência emocional. (Foto: Eisner Soares)

Depois de uma passagem pela equipe deste jornal, no final da década de 1980, a mogiana Adriane Amaral se encantou por inteligência emocional e começou a aplicar treinamentos em empresas. Foi empresária no ramo odontológico e se formou em coach pela Federação Brasileira de Coaching Integral Sistêmico (Febracis), especializada em Master Coach pela Florida Christian University. A experiência proporcionada por estas formações a permitiu, neste ano, criar um grupo chamado Profissionais de Sucesso, iniciativa pensada não somente para fortalecer a inteligência emocional de empreendedores, mas também para realizar ações sociais, criando eventos em instituições que necessitam, mais do que doações, de contato humano.

Como surgiu o grupo Profissionais de Sucesso?

Em junho, uma dentista e uma lojista entraram nas minhas redes sociais e depois me mandaram mensagem. A dentista disse que precisava tomar uma decisão, que queria desistir da profissão por não ter vontade de trabalhar mais. E a lojista disse a mesma coisa, que queria deixar o comércio. Convidei as duas para participar de uma conversa, e aí comecei a montar o grupo. Depois de um bate papo, descobri o que as desmotivava. Eram vários problemas no casamento, falta de especialização e outras questões. Resumindo, falta de inteligência e equilíbrio emocional. Então decidi promover palestras todos os meses, e também levar outros palestrantes, de acordo com a necessidade do grupo, que hoje tem 104 integrantes dos mais variados setores.

E como funciona a parte social?
A parte social está dentro do meu propósito, ou seja, levar conhecimento e ajudar outras pessoas, propagar isso para o mundo. Não podemos criar mundo melhor, mas podemos criar filhos e empreendedores melhores para o mundo. A conexão entre as pessoas está se perdendo, é só ver as conversas feitas a partir de emojis e símbolos nas redes sociais. Nosso trabalho é justamente conectar as pessoas com olho no olho, e decidimos fazer um primeiro evento com os empresários do grupo. Primeiro fomos para um asilo, levando bingo, brindes, um cão adestrado para interagir com os idosos e fraldas geriátricas, que a instituição disse ser a principal necessidade. Passamos uma tarde com eles, interagindo, ouvindo e contando histórias. Digo que a gente mais adquire do que leva conhecimento, tanto que descobrimos um casal que se conheceu ali dentro.

Que outros eventos vocês já fizeram?

O grupo foi criado em junho, mas os eventos começaram em setembro, com o asilo. Na segunda atividade, em outubro, entramos em contato com instituição que trabalha com mulheres em tratamento de câncer e ali a gente fez um coffee para quinze mulheres. Entramos em contato com uma loja que as vestiu com look de festas e levamos fotógrafos para registrar o momento. Também levamos 12 ferramentas de Coaching Integral Sistêmico, porque entendemos que podemos nos curar antes de adoecer, ou seja, trabalhar o emocional para que muitas doenças físicas não nos atinjam. E em novembro fizemos um evento para os homens, levando barbeiros, um café e jogos educativos para mexer com o emocional deles e ainda falar de prevenção de doenças.

Estas atividades vão além do que se costuma se ver por parte das empresas, que muitas vezes fazem doações em dinheiro para entidades mas não vão estabelecem contato com elas. Você acha que esta é uma responsabilidade que a iniciativa privada deve assumir?

Sim. É justamente por isso que formamos este grupo, para conscientizar que a mudança que queremos ver no outro começa conosco. Enquanto não se adquire auto responsabilidade de transformar as coisas, vai se jogar a culpa em alguém. Para continuar na zona de conforto é mais fácil culpar o governo, culpar os pais pela infância que proporcionaram, culpar o funcionário pela empresa não ir bem, e por aí vai.

O que faz um coach?

O coach descobre como você está hoje, em que situação real você está hoje na sua vida pessoal e financeira, no casamento e em outras áreas, 11 ao todo. Depois de definir em qual realidade o coachee (quem passa pelo processo de coaching) está, traçamos um plano de ação para que ele chegue onde quer chegar, ou seja, para que atinja os objetivos almejados. Mas entre onde a pessoa está e onde ela quer chegar existe um caminho, e este é o “problema”, porque neste caminho existem questões emocionais, traumas e crenças. Um verdadeiro coach, que realmente se importa com o ser humano, trabalha todos estes anseios, criando estrutura emocional para que a pessoa se estabilize e cresça.

Isso vale tanto para qualquer caso, ou seja, pessoas e empresas?

Sim, isso vale tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. As ferramentas do Coaching Integral Sistêmico, com o qual trabalho, estabelecem 11 pilares porque antes de ser empresário, o coachee é um ser humano, que tem suas emoções, seus traumas e problemas que precisam ser tratados para entrar em equilíbrio e ter estrutura emocional. Isso é feito a partir de ferramentas que estimulam tanto o lado da razão quanto o emocional, sendo que 95% das decisões que tomamos são baseadas neste último campo.

Como este trabalho é desenvolvido?

Utilizo ferramentas chamadas PPS – Perguntas Poderosas de Sabedoria, que permitem descobrir em qual ponto o coachee está em relação a cada um dos pilares. Depois, traço um plano que condiz com os objetivos e aí parto para os traumas, que costumam ser vividos entre os 0 e 8 anos de idade. É um caminho de inteligência emocional e autoconhecimento a partir de muitas conversas e encontros.

O termo “coach” tem sofrido crescente banalização. A que você atribui esta situação?

Acredito que o coach está banalizado hoje porque existem muitas pessoas no mercado que não entendem que um profissional desta área faz de verdade. Minha especialização, Master Coach, significa que posso formar outros coachs, e é justamente neste processo em que surge a banalização, afinal há muitas instituições sérias, mas também tem outras que formam pessoas pela internet com poucas horas de curso. É preciso ter em mente que se está sentado a frente de alguém que é humano também, cheio de traumas e fraturas emocionais que precisam ser trabalhadas. O profissional desta área pode construir como destruir a vida de alguém, então se ele não tiver boa estrutura emocional e não tiver transformado a própria vida primeiro, não poderá transformar a de terceiros.

Diante deste cenário, como identificar o verdadeiro coach?

Eu acho que a chave, quando se contrata qualquer profissional, é verificar a formação dele, se é numa instituição séria, se ele tem cases de sucesso, se já transformou vidas, ou seja, se tem bagagem. Mas, mais do que isso, em primeiro lugar, se a vida dele está transformada, o que conferirá credibilidade para transformar a dos outros.

O coach não necessariamente é um psicólogo ou psiquiatra, mas de acordo com o que você diz ele trabalha conceitos ligados a estas áreas?

Em todas as ferramentas que a gente utiliza, trabalhamos muito com psicologia comportamental, o que é ensinado nas formações de coach e Master Coach. Essas ferramentas permitem identificar se a pessoa está com depressão, por exemplo. Nesses casos, encaminho para o psiquiatra ou psicólogo e só continuo os trabalhos com autorização destes profissionais. Muitas vezes, nossos processos podem agilizar o tratamento, pois chamamos os pacientes para a ação.

Além dessa área, você também dá consultorias e mentorias. Qual a diferença entre estas atuações?

Na mentoria, uso minha experiência como empresária para auxiliar o negócio das pessoas, mas não faço por elas. Na consultoria, a diferença é que ajudo a executar o que foi traçado como plano, e no processo de coach cuido do empreendedor a partir da inteligência emocional.

Você também é palestrante e costuma abordar o empreendedorismo feminino. O que pode falar sobre este tema?

Eu acho que estamos num momento mais propício para o empreendedorismo feminino, porém as mulheres ainda se sentem culpadas por estar dentro das empresas deixando seus filhos em casa. Eu mesma tenho um filho de 30 anos e outro de 9, e quando o primeiro crescia, não participei de absolutamente nada, mas agora minha agenda é adaptável às atividades do mais novo. E vejo que um dos sonhos das mulheres que tem filhos é esse. O que é possível, mas tem que ser feito a partir de uma transição. É aí que o lado empreendedor entra como satisfatório, mas desde que haja inteligência emocional na vida das pessoas. Ao lidar com seu casamento, com o lado financeiro, que muitas vezes cai ao começar a empreender, e com tantas outras questões, é preciso cuidado para que as mulheres não caiam em depressão.


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